A utilização diária de automóvel é necessária?
Pessoal,
Gostaria de levantar uma questão que, a meu ver, é pouco debatida em Portugal: a necessidade (ou não) de possuir um automóvel para uso diário.
Ao viajar pelos países mais ricos da Europa, observo que o número de veículos automóveis é significativamente menor em comparação com as duas principais cidades portuguesas, Porto e Lisboa. Na Alemanha ou Dinamarca, por exemplo, o trânsito é praticamente inexistente, mesmo nas horas de maior movimento, e os meios de transporte mais utilizados são a bicicleta, o metro, o comboio e o autocarro.
Considerando que o vencimento médio em Portugal é inferior, ou consideravelmente inferior, ao de países mencionados acima, questiono como é possível que persista uma fixação tão grande pelo automóvel. Não estou a contestar a posse em si: é compreensível ter um carro para passeios no fim de semana e deslocações mais longas.
No entanto, tomando como exemplo a realidade do Grande Porto, com a qual estou mais familiarizado, noto que a rede de metro tem uma extensão total de 63 quilómetros (enquanto Copenhaga, por exemplo, tem uma rede de metro mais curta, com apenas 43 quilómetros); o serviço de comboios suburbanos estende-se até Braga, Marco de Canaveses, Aveiro e Guimarães, tudo a distâncias de cerca de 30/45 minutos de Porto Campanhã ou Porto São Bento; os autocarros da STCP parecem estar em excelente estado e são muito confortáveis, com uma frequência elevada e abrangendo uma ampla área.
O título de viagem Andante, utilizado no Porto, que inclui o Andante Metropolitano, compreendendo metro, comboio e autocarros, custa cerca de 40 euros mensais.
Denoto que muitos jovens portugueses, ainda em início de vida, tomam a propriedade do automóvel como se fosse uma espécie de vaca sagrada, constituindo empréstimos e despendendo parte significativa do seu rendimento na compra, utilização diária e manutenção do automóvel.
Ao contrário, entre amigos alemães, noto que a aquisição de um automóvel é considerada apenas quando se constitui família, enquanto até lá, opta-se por pedalar, utilizar o metro e o autocarro.
Considero o automóvel um gasto formidável, voltando a reiterar o valor médio dos rendimentos em Portugal, e questiono a sua validade.
Saliento novamente que esta questão se refere especificamente às duas principais áreas metropolitanas do país.
Gostaria de saber a vossa opinião.
Posted Jul 23, 2023, 1:13 PM UTC