Eu sou babaca por ter terminado por algo "normal" da adolescência

Eu(h15) e ela(m15) nos conhecemos no oitavo ano do fundamental e eu sempre ajudei com estudos e coisas do tipo porque tenho facilidade com isso. Naquela época eu não tinha interesse em ninguém e sofria muito bullying já que tenho Asperger, então sou meio esquisito. Depois de um tempinho no oitavo ano eu reclassifiquei pro nono e acabei mantendo o contato pra estudos com essa garota. Na nossa geração é muito difícil de achar alguém na linha e ela sempre foi bem preocupada com os estudos e me parecia bem centrada. No final do meu nono e oitavo dela comecei a desconfiar que estava sentindo algo. Passei todo o meu primeiro do médio me questionando isso e no final daquele ano me assumi mais pra tirar aquilo da cabeça do que pra começar um relacionamento. Pra minha surpresa ela disse que aquele sentido deixava ela lisonjeada e que, se eu quisesse no ano seguinte poderíamos tentar conversar de começar um relacionamento Como todo adolescente burro eu fiquei completamente apaixonado. O que honestamente foi um terror pra mim. Eu nunca tinha passado por isso antes na minha vida justamente por achar que toda menina atualmente é só uma puta fanática por beleza e só (perdão se eu estiver sendo ofensivo, mas eu sempre sofri muito bullying desse tipo de menina e poucas não foram assim). Foi bom, mas constantemente meu subconsciente dizia que tinha algo de errado e que eu não estava vendo algo. Eu apresentei ela pros amigos pra ter certeza de que eu não tava sendo cego demais e eles disseram que aprovavam ela. Meus pais e minha irmã mais velha a mesma coisa. Então obviamente fiquei animado. Eu não sou muito chegado em toque, mas nesse período eu pedia cerca de três abraços por dia pra ela, já que ela sempre disse que amava meu toque. Com o tempo fui descobrindo que nos anos anteriores ela não era tão santinha e estudiosa. Ela ficava com vários meninos aleatórios, pelo que disse até maiores de idade e ia pra festas e ficava nelas até tarde. Ela mesma que me confessou tudo isso porque disse que não achava certo se relacionar comigo se eu não soubesse. Nisso eu já fiquei extremamente feliz por ver que ela estava sendo honesta comigo e que eu estava influenciando ela a ser uma pessoa melhor. Mas a alegria de pobre dura pouco. A gente passou o primeiro semestre do ano simplesmente perfeito. A gente conversava, eu ajudava ela a estudar, ouvia os desabafos dela, dava alguns presentes. Raramente a gente falava de mim, mas honestamente não me incomodo, falava o que eu precisava e ela ouvia mesmo que fosse pouca coisa. Eu nunca planejei realmente casar, tão pouco ter relações sem ser com alguém especial, mas prometi que se fosse fazer algum dos dois, a pessoa em questão deveria cumprir três requisitos simples

  1. Realmente gostar da minha personalidade do meu jeito (o que é difícil já que sou absurdamente inseguro e esquisito por conta dos meus transtornos)
  2. Ser leal a mim e não me trair em hipótese alguma
  3. Não ter vício em nenhum tipo de droga, lícita ou ilícita Tendo isso pouco me importava aparência, situação financeira ou passado. Ela sempre cumpriu os três requisitos e pra mim já era perfeita por isso. Perto do período das férias ela começou a ficar um pouco mais distante. Geralmente era eu que puxava papo e na maioria das vezes ela negava meus pedidos por abraço, o que não era problema por mais que eu adorava sentir o cheiro dela e ficar próximo dela, apesar de ser efetivamente o abraço que eu mais amava e de ser um gesto simples que melhorava meu dia, eu não sou louco de ficar forçando ela né? Todo dia eu elogiava o cheiro, a aparência e o intelecto dela de um jeito diferente, sempre dizendo como ela me inspirava a cuidar da minha beleza e ler livros clássicos. Ela não fazia nenhum elogio a não ser que eu era bom professor, e tava tudo bem afinal no começo de tudo ela disse que não era boa em demonstrar sentimentos pra pessoas que não fossem amigas mulheres. Eu estava feliz do jeito que estava e por mais que ela estivesse meio distante naqueles dias eu continuava tentando fazer gestos pequenos que a agradacem, porque ela sempre disse que não queria que eu fizesse nada que chamasse a atenção, então eu não fazia. Sempre respeitei muito os limites que ela colocava e sempre que eu achava que dava alguma bola fora eu pedia desculpas, eram coisas bestas tipo piadas e ridicularizações das quais ela também ria. Enfim, quando chegou as férias de julho ela disse que ia pra uma resenha com os amigos e que lá ia beber. Obviamente eu repreendi e disse que não queria que ela fizesse isso e ela disse pra mim ficar tranquilo que ela não ia exagerar. Descobri que ela já tinha bebido algumas vezes antes e que a família dela não fazia ideia. Fiquei preocupado e na noite que ela saiu eu fiquei acordado o tempo inteiro pra ter certeza de que ela estaria bem. Ela começou a me mandar mensagens completamente bêbada falando as maiores baboseiras do mundo e me prometendo que não ia beber de novo. Ela é diabética então imagine como eu fiquei com ela falando que ficou bêbada a ponto de passar mal no meio da rua. Ela começou com uns papos estranhos falando que sentia falta de ser livre e de beijar pessoas, que sentia falta de toque e de sair por aí. Eu falei que não tinha problema nenhum em ela sair com os amigos contanto que não bebesse e não se relacionasse com gente aleatória e que quando ela quisesse eu estaria disposto a ter encontros com elas pra gente se beijar e fazer essas coisas de casal. Ela ficou bêbada de novo e novamente prometeu que ia parar de beber. Ela disse que ia pra uma festa com amigas e que estava comprando um vestido que deixasse ela o mais em evidência possível, mas que a irmã dela tinha achado que ela parecia uma puta naquele vestido. Dei minha opinião sobre o vestido e falei que esperava que corresse tudo bem na festa e que ela não bebesse. Ela disse que ia porque estava muito estressada com a escola. Mas prometeu que depois da festa iria parar. Essa festa ainda nem aconteceu. Mas eu terminei com ela(tecnicamente não chegamos a namorar mas ainda assim tínhamos um relacionamento acima de amizade então acabei que tinha que fazer todo o rito do término). Eu tolerei ela quebrar uma promessa uma vez, tolerei duas vezes, uma semana depois, ela disse que não iria parar de beber depois da festa e que no aniversário dela ia dar perdido nos pais pra beber, eu não vou tolerar três vacilos desse. Me mantive leal e amigável durante todo o relacionamento e sempre tentei resolver tudo na conversa, nas quais não teve literalmente uma em que eu subi a voz pra ela. Ela sempre soube que eu não queria me relacionar com gente com vícios, mas ela insistia que não estava viciada e que beber álcool e usar drogas é normal na adolescência. Então eu fiz ela escolher entre eu e a bebida e já tá na cara que ela não me escolheu. Eu ri MUITO porque no momento que ela disse isso percebi o quão patética e perdida ela tá. Eu não quero parecer arrogante, mas sou um cara que desde os 14 estuda das 7:30 as 15:30 na escola, depois disso sai e faz curso, depois dos cursos vou pra academia e treino luta e ainda por cima faço terapia e me medico por conta do TEA, do transtorno de ansiedade e depressão biológica que eu tenho. Eu sempre disse pra ela que se ela quisesse quando tivéssemos uma casa eu sustentaria a gente se ela não quisesse trabalhar e que eu faria uma família do tamanho e forma que ela quisesse. Sempre dei presentes simples, feitos a mão ou um chocolatinhos que não chamavam a atenção de ninguém assim como eu pedi. Nunca toquei nela sem pedir ou sequer pensei em cobiçar outra garota. Durante seis meses tentei ser um pretendente atencioso e carinhoso e fiz tudo ao meu alcance. Se ela não gostava de mim mais do que a bebida a ponto de conscientemente não fazer questão de mim, ela não é o que eu quero pra ter uma família. O relacionamento foi bom. Em questão de intimidade física eu não fiz nada além de abraçar ela e segurar a mão dela, ajudei ela com alguns problemas pessoais que teve e dei o máximo de ajuda que ela aceitou pros estudos. Provei pra mim mesmo que quando uma pessoa decente aparecer vou conseguir ser carinhoso e amoroso. Eu dei a escolha pra ela e ela escolheu. Disse que na adolescência é normal beber, apesar de ela mesma dizer acha errado(hipocrisia é algo incrível). Eu não normalizo o errado e ponto. Se é errado dane-se se é normal. Eu. Não. Faço. Terminei na amizade, disse que sempre que precisar de ajuda nos estudos ou quiser conselhos pra coisas que ela não fala com os pais estou a disposição. Agora ela me olha torto toda vez que eu cumprimento ela e me ignora. Mantenho a educação e sempre dou bom dia e boa tarde quando encontro ela nos corredores. Agora ela tá livre pra se esfregar em maior de idade por bebida alcoólica. E honestamente estou muito feliz. Ri muito. Meus amigos riram muito. Meus pais e minha irmã riram muito. De quebra meu cunhado (que é o exemplo de marido que eu quero ser) disse que tá muito orgulhoso de mim e que alguém um dia vai aparecer e fazer valer a pena meus esforços(meu cunhado também é PCD, a gente é indentico em personalidade mas sempre minha irmã tem que fazer intermedio porque somos tímidos, então ele falar isso pra mim foi a melhor coisa do mundo). Eu fiz minha parte com todos os meus recursos e ela a dela do jeito dela. Não deu certo, mas diferente dela não me arrependo. Aprendi muito de como gente como ela se disfarçam e acho que não vou cair nessa tão fácil na próxima. Mas ainda assim me pergunto se fui drástico demais. Meu pai quase morreu por álcool e a história dela tá seguindo o exato mesmo rumo. E honestamente estou torcendo de certa forma pra que ela se ferre o mais cedo possível pra que ela não continue fazendo isso por muito tempo a ponto de ficar doente ou grávida de alguém que só vai abusar dela. Sou o babaca por ter terminado por algo que é "normal" da adolescência?

Posted Aug 6, 2024, 10:27 AM UTC

45
Loading comments…