Maconha, ansiedade, vício y recuperação (relato pessoal)

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Buenos días, buenas tardes y buenas notches a todos. Venho por meio desta dividir com vocês esse pequeno recorte da minha vida, onde eu caí, me afundei e sobrevivi.

Caras, comecei a fumar maconha aos 19 anos (há 4 anos), no início eu fumava com meu amado apenas aos finais de semana e era tudo muito bacana, eu morava sozinha e aos fds a gente fumava e morgava. Isso virou rotina, então toda vez que a gente fumava, só morgava. E ainda era prensado. Isso prejudicou nossa vida social e sexual também, o que antes era uma delícia chapado em um momento sequer acontecia. A ansiedade começou a nascer.

Um dia eu me cansei dessa moleza e resolvi ser "produtiva", me voltei pros meus hobbies (artes, yoga, cozinha) e comecei a me sentir melhor comigo mesma, mais disposta e mais vivida também. Meu amado me acompanhou e começou a fazer as coisas dele também. Porém, o cigarrito ocasional tornou-se um hábito, muito gostoso e peligroso.

Um dia, eu tive experiência com ayahuasca religiosa e acabei ficando meses em fumar um e qualquer coisa. Quando eu fumei meu primeiro prensado, meses após a ayahuasca, meus amigos... Que bad trip, eu não convulsionei, mas foi uma sensação terrível. Eu meio que apaguei no sofá e minha cabeça não parava de piscar. Tinham mais dois amigos comigo e ambos passaram mal também, não sei se aquela maconha estava adulterada ou se só estava muito sujo, mas os três tiveram bad trip e minha amiga teve pânico.

Depois disso fumar não foi mais a mesma coisa, realmente perdeu o prazer mas eu não parei de fumar. Eu me fechava no meu mundo, pensamentos e emoções estando chapada e continuei assim por mais uns anos. A ansiedade cresceu demais, tudo estava cinza menos a ponta do beck aceso. Y assim se seguiu. Fumei até flor de CBD pra ver se a ansiedade passava (como se fosse possível), mas nada adiantava. Tomei calmantes naturais e foi equivalente a não tomar nada.

Minha ansiedade começou a me dominar. Mesmo sem fumar eu continuava ansiosa. Mesmo fazendo T-Break eu continuava ansiosa. Até que eu precisei voltar pra casa da minha mãe e tudo terminar de desmoronar. Me vi sem teto e devendo, minha rotina mudou de cabeça para baixo e eu estava voltando pra um lugar onde por muitos anos eu fui maltratada (não pela minha mãe).

E aí parceiros, minha mente crashou, o que era cinza ficou preto, o que era colorido virou preto, o que era preto ficou mais preto. Desenvolvi ansiedade social, sempre que eu fumava parecia que se ascendia um holofote em cima da minha cabeça e todos olhavam pra mim. Y detalhe, minha mãe mora em um bairro nobre da cidade enquanto eu morava em um bairro popular estudantil, onde haviam muito mais pessoas da minha idade e com o mesmo estilo de vida. Aqui, não me encaixo, sofri racismo e preconceito por meses. Os idosos que moram aqui, da quadra toda, me conhecem pelas vergonhas que passei e pela bagunça que sou rs.

Aqui me vi jogada e sem lugar, dentro e fora de casa. Continuei fumando com muito menos frequência, mas toda vez que eu fumava a ansiedade social atacava, fiquei tão piroca das ideias que comecei a ter sintomas físicos como taquicardia, meu corpo entortava, parecia que eu me tornava outra pessoa. Eu tenho certeza absoluta que eu enlouqueci. 2024 foi o ano mais conturbado da minha vida. Até mesmo sem fumar eu me sentia assim. Meu psicólogo (de anos) sempre disse que minha ansiedade era controlável, mas em uma sessão ele avaliou me encaminhar a um psiquiatra.

Me vi sem autoestima, sem autoconfiança e sem sanidade. Eu era o retrato da ansiedade, do fundo do poço, da energia ruim. Me vi feia, vivendo meu pior momento. Me vi extremamente autocrítica e sem limites externos e internos. Nada mais fazia sentido em mim, e eu não parei minha vida, não parei minha faculdade, não parei meu trabalho, fiz o que pude para manter meu ciclo social, mas eu estava acabada por dentro e por fora. Não somente pela ansiedade e pela potencialização dela pela maconha, mas também pela vida atribulada que eu estava vivendo em todas as áreas da minha vida. Minha família descobriu que eu fumava logo do pior jeito, no meu pior momento, de todo esse ano, acabei criando um estigma gigantesco, minha mãe ficou mal, deu bosta pra todo lado.

O tempo passou e fumar e ter crises de ansiedade se tornaram rotina. Eu fumava e o mundo escurecia, mas eu não parava, eu não conseguia acreditar que o problema maconha e sim eu mesma. Li diversos artigos médicos, conversei com meu psicólogo, conversei com meu guia da ayahuasca, me voltei pra espiritualidade, fiz o que pude para que eu conseguisse sair dessa, pois eu não gostaria de abrir mão de fumar. Meu namorado, muito gentil e atencioso, segurou a barra comigo durante todos esses anos, inclusive nesse ano crítico, ele me auxiliou, buscou ajuda comigo, trocou métodos de fumarmos, fez o possível e o impossível por mim.

Paramos de fumar prensado, começamos a fumar Colômbia, kunk, haxixe... Em algumas épocas voltamos ao prensado por acharmos que o THC que induzia a minha ansiedade, e nam é ruim demais, logo largamos. Mas independente do que eu fumasse, a brisa torta era a mesma.

Um dia, recentemente, depois de muita auto análise, muita terapia, apoio do meu namorado, eu simplesmente consegui. Eu finalmente consegui acalmar minha mente e lidei com minha ansiedade. Ela não me controlava mais, nem mesmo chapada. Os zumbidos cessaram, o coração batia no ritmo certo e eu fiquei em paz.

Nunca esqueço o momento em que eu percebi que estava finalmente no controle sobre minha mente chapada. Me senti livre e liberta de mim. Eu nunca pensei em parar de fumar propriamente pois, pra mim, o problema não era a maconha e sim meu interior desequilibrado. A maconha só potencializava o que já existia.

Fumei várias vezes após esse momento, confesso que ainda me sinto ansiosa em algumas sessões, em algumas interações. Minha ansiedade social ainda existe, meus sentimentos de inadequação ainda estão aqui, e também a minha autoestima ainda está em reconstrução. Mas nada que eu não consiga lidar.

A maconha combinada com a ansiedade me mostrou muito sobre mim, meus piores defeitos, meus sentimentos mais caóticos e pensamentos que eu não gostaria que mais ninguém soubesse, jamais. Não estou romantizando minha situação de maneira alguma, pois sofri muito e não deveria ser assim. Cheguei a fundos de poços mais profundos do que eu jamais imaginei. Ninguém deveria se sentir assim, repito, NINGUÉM. É uma experiência que eu espero que nunca mais se repita. Foi uma dura lição de DOR, MUITA DOR, mas eu escolhi transformar em autoconhecimento, amadurecimento e endurecimento de couro.


Ergo:

Fico feliz em dizer que a maconha não destruiu minha vida nem minha mente. Eu afirmo que não precisei transferir a culpa pra nada, eu mesma me fodi sozinha kkkk

Sou muito grata pelo amor da minha vida e todos os meus amigos que estiveram ao meu lado, lidando comigo com paciência e acolhimento. Cultive pessoas boas ao seu lado, qualidade é melhor que quantidade, sempre.

Não fumem prensado crianças, juro, invistam em dry ice ou pelo menos uma florzinha bacana. Eu sinto uma brisa muito mais pesada com prensa ou flor advinda do tr4fico. Trocamos pra um fornecedor independente e a parada é outra. Não compre, plante.

Se você estiver passando por uma parada sinistra assim com as suas ideias, não deixem de consultar um psicólogo ou pelo menos um neurologista.

Reflita sobre o por que você fuma. Não vai funcionar se é pra fugir de algo ou alguém, ainda mais se for pra fugir de si mesmo. Afinal, qual a diferença entre vício, insistência e integração na rotina?


Gostaria de saber as experiências de vocês, se mais alguém já viveu algo parecido. Além de opiniões sobre o meu relato, conselhos, ou o que mais vier

#paz 🍀

Posted Feb 24, 2025, 9:38 PM UTC

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