Nunca ter namorado não é (mais) o fim do mundo

:icone-falar: Relato pessoal

Oi. Quero começar dizendo que em menos de cem dias farei 37 anos e, como dito no título, nunca namorei. (E este não é um post triste)

Ah, eu sou mulher! Pois é, tem quem ache que pra mulheres é infinitamente mais fácil encontrar parceiros e, talvez até seja, mas definitivamente eu fui exceção a regra.

Nunca comemorei o dia dos namorados nem nunca fui pedida em namoro (mas já beijei sim).

Não vou mentir dizendo que não ter namorado nunca afetou minha autoestima. Já tive muitas crises de choro sozinha onde pensei: “Por que ninguém nunca me quis?”.

Eu sei exatamente os sentimentos: a sensação de se sentir atrasada em relação aos outros, de achar que todo mundo namora, ou pelo menos tem facilidade de encontrar parceiros, menos você (spoiler: isto NÃO é verdade!!), o desânimo, a tristeza, etc.

A dificuldade de quem namora, ou sempre teve facilidade pra isso, é entender que na vida de algumas pessoas simplesmente nada acontece, absolutamente nada! E durante muitos anos eu tentei forçar acontecer. E nada funcionou.

Hoje assumo que meu eu de 10 anos atrás queria tanto namorar, mas era só pra poder dizer: “Eu tenho um namorado”, literalmente. Eu não focava em qualidade, conexão, em um relacionamento saudável ou em qualquer outra coisa que realmente importasse, eu queria mesmo era ser validada!! Esse era o ponto! O meu valor estava ligado ao fato de namorar. Eu via relacionamentos como um tipo de prêmio. Namorar era algo como, “Agora eu existo socialmente” e “Agora eu tenho valor!”. No fundo era: “Eu só mereço amor se alguém me amar.” Eu só mereço amor se alguém me amar?

Eu nunca falei isso pra ninguém, mas nessa época eu invejava qualquer garota que namorasse, absolutamente qualquer uma! Histórias como: “Meu namorado me xinga e briga comigo todos os dias”, me causava inveja! Sim: In-ve-ja!! Na minha cabeça (imatura), se essa menina hipotética me pedisse algum conselho, eu apenas diria: “Pelo menos você namora. Pelo menos alguém te quis. Agradeça!”. Qual a probabilidade de ter dado um (cocô) grande se eu realmente tivesse conseguido o meu tão sonhado namorado?

Mas o ponto onde quero chegar é dizer que consegui sair disso. Como? Muita “autoterapia”!

Nada contra psicólogos, mas nunca senti que este fosse o MEU caminho, mas ainda assim eu queria sair disso. Me neguei com todas as forças a continuar nessa vibe de ‘coitadismo’. Desculpe, eu sei que é duro falar, mas a verdade é que ficar nessa linha de “eu sou um(a) coitadinho(a)” ou “ninguém me quer” não atrai NINGUÉM porque não é nada atraente mesmo!

Ainda estou no processo, mas todos os dias trabalho minha autoestima, minha autoconfiança e meu autoconceito. Segredinho: Depois de um tempo nesse processo percebi que, de forma inconsciente, ainda via um namoro como um prêmio: “Se eu fizer tudo isso finalmente alguém vai me olhar”, mas consegui sair disso! Agora faço tudo por mim, por meu próprio crescimento!

Mas pra chegar a esse ponto não foram dias ou semanas, viu? E não foi simples… Mas agora, com muito orgulho, vos digo: pela primeira vez em muito tempo eu me sinto em paz. Totalmente em paz.

As vezes os pensamentos tentam voltar ao velho padrão, mas se percebo que comecei a ficar triste por isso apenas repito: “O meu valor continua o mesmo independente do meu status de relacionamento” e “O meu valor não está atrelado a relacionamentos, homens ou qualquer pessoa. Eu sou digna de amor e digna de ser amada”.

Acho mesmo que a vida é mais divertida com companhia, mas enquanto isso não acontece não quero deixar de viver e aproveitar as coisas boas por causa desse pequeno detalhe. Sim, agora é apenas um pequeno detalhe: como ser gordo ou magro, baixo ou alto.

Como a maravilhosa da pearlieee (YouTube) costuma dizer: “Deixe que o amor chegue até você, não como um prêmio que você tem que ganhar, mas como uma reação natural a sua verdadeira essência”.

O amor é parte, mas VOCÊ é o TODO!

♡

Posted Jun 23, 2025, 4:15 AM UTC

2218
Loading comments…