O romântico de coração partido
No silêncio da casa
a saudade assovia —
um nome, dois olhos,
um colo e um dia.
Lembro dela dormindo em mim,
num abraço de paz tão sem fim,
como quem, cansada da dor,
fez do meu peito abrigo e flor.
Seus olhos? Eu veria no escuro.
Sonho com eles quando o mundo é duro.
Já não me falam — mas seguem aqui,
no sono inquieto que vive em mim.
Ela me odiaria, talvez...
mas o amor que senti não se desfez.
Não foi miragem, nem foi engano:
foi casa, foi riso, foi plano.
E hoje caminho, sem ter com quem,
a dividir o sofá, o jantar, o amém.
Meus jogos me esperam — fieis, sim senhores —
mas não sabem rir, nem curar minhas dores.
Ah, Vinícius, me empresta teu verso...
que amor quando acaba ainda é universo.
E mesmo ausente, mesmo tão só,
carrego um passado que ainda é pó
de ouro, de riso, de flor esquecida,
da mulher que amei como quem dá a vida.
Mas sigo.
E se não for para um “nós”, que seja por mim.
Pois sonhar ainda é resistir até o fim.
E quem amou como eu — com a alma, com tudo —
pode até chorar,
mas não fica mudo.
Escrevi esse poema no silêncio de uma madrugada, como tantos.
Posted Jun 23, 2025, 4:21 AM UTC