Consegui o emprego dos sonhos depois de me formar e isso esta me desgastando, o que fazer?
Tenho 23 anos, sou formado em Medicina Veterinária e estou no meu segundo emprego desde que saí da faculdade. Me formei em uma universidade pública bem conceituada do interior (passei cerca de 5 anos morando longe da minha cidade natal) e, assim que terminei o curso, voltei a morar com meus pais, em uma cidade de médio porte. Consegui um emprego em uma clínica de cães e gatos, mas não era o que eu buscava — o salário era baixo, fazia plantões noturnos e aos fins de semana, e ganhava praticamente o mesmo que o porteiro do condomínio (R$/h). Fiquei alguns meses por lá até surgir uma oportunidade na área em que sempre quis atuar: indústria pet.
Durante a graduação, direcionei quase todas as minhas experiências pra essa área: participei de projetos de pesquisa, fui monitor, estagiei em empresa do setor e cheguei até a representar uma marca da área na faculdade. Mesmo sem pós-graduação, fui indicado por um professor para uma vaga e acabei sendo contratado. No papel, parecia a virada que eu esperava - cargo de analista, mas com funções bem estratégicas, e a promessa de crescimento. No caso, a equipe técnica se resume a mim e a um diretor, que inclusive vive dizendo que, quando ele sair, serei o responsável por tudo.
O problema é que a empresa fica em uma cidade pequena, a mais de 8 horas da minha cidade natal, e eu simplesmente não consegui me adaptar até hoje. A vida por aqui é parada, o custo de vida não é tão baixo quanto imaginava, e acabo indo para minha cidade de origem cerca de duas vezes por mês — o que consome boa parte do meu salário. Sinto que estou só existindo aqui, sem vínculos, longe da família, dos amigos, da vida que eu conhecia.
Pra piorar, apesar de todas as responsabilidades que assumi e do conhecimento que demonstro, sinto que minha idade e minha posição inicial ainda pesam mais do que qualquer entrega real que eu faça. Em alguns momentos, sou tratado como alguém “muito inteligente para a idade”, mas isso nunca se traduz em crédito pelo que executo. Tomo decisões complexas, assumo responsabilidades que ultrapassam meu cargo, sou referência técnica em alguns assuntos… mas no fim, tudo que faço é interpretado como resultado da boa orientação do meu gestor — nunca como fruto da minha própria iniciativa ou meu conhecimento/aprendizado.
É como se eu estivesse sempre sob a sombra dele. Me apresentam como assistente, como aprendiz. E mesmo que um dia eu assuma a liderança da área, não vão enxergar isso como reconhecimento do meu trabalho, mas como uma consequência direta de eu ser “o funcionário de confiança” de alguém que sabe se vender muito bem. O mérito nunca será meu — só uma extensão do prestígio do meu chefe. Isso me desgasta profundamente, porque me esforço muito, corro atrás, aprendo rápido e entrego com consistência… mas sigo sendo visto como “promissor”, e não como alguém competente e responsável por tudo o que faz.
Eu sei que essa pode ser uma grande oportunidade profissional — não é comum alguém recém-formado, sem pós, assumir tanta responsabilidade numa empresa grande. Mas, ao mesmo tempo, estou completamente esgotado. Tenho medo real de entrar num burnout. Me pego contando os dias pra próxima viagem, e toda vez que volto pra minha cidade, acabo exagerando: gasto demais, durmo mal, como mal… é como se eu tentasse compensar, em poucos dias, tudo que não tenho aqui.
Já estou há um ano na empresa e, desde então, o que recebi foi apenas o acréscimo constante de responsabilidades — sem nenhum retorno proporcional, nem em reconhecimento, nem em valorização salarial. Meu chefe chegou a comentar que haveria um reajuste no meio do ano por conta do volume e da complexidade das funções que venho acumulando, mas até agora isso não aconteceu, nem foi mencionado novamente. É frustrante perceber que, mesmo entregando muito mais do que o esperado para alguém no meu cargo, sigo sendo tratado como se estivesse apenas “ajudando”. Há uma descredibilização constante: quando convém, sou visto como técnico e confiável; mas, quando o prestígio está em jogo, me colocam como coadjuvante. Além disso, por ser uma empresa familiar, muitas vezes sinto que tratam minha presença ali como um favor que estão me fazendo — e não como uma relação profissional em que eu sou remunerado pelo serviço que entrego. Isso só torna tudo ainda mais desmotivador
Comecei a procurar novas vagas, mas fico com a sensação de que sair agora pode ser um erro. Ao mesmo tempo, continuar nesse ritmo também parece insustentável. Considero sair mesmo que seja pra ganhar menos, só pra tentar recuperar minha saúde mental. Mas também tenho medo de cair numa rotina igualmente desgastante, mesmo que, pelo menos, minha vida pessoal fosse um pouco melhor. O ideal seria encontrar uma vaga que tenha relação com a área em que atuo e que me desperte interesse. O problema é que não sei quanto tempo mais vou aguentar esperar por isso.
Posted Jul 9, 2025, 11:19 PM UTC