Anestesia.
Arrancaram-me a língua rija, Para que eu não pudesse bradar. Extirparam-me a vista rica, Para que eu não pudesse mirar.
Amputaram-me os braços firmes, Para que eu não pudesse lutar. Deceparam-me as pernas infirmes, Para que não pudesse levantar.
Não posso rememorar onde estou, Porque há muito fui anestesiado. Eu não consigo mais saber quem sou, Pois estou tolhido e amasiado.
Realmente estou acompanhado, Ou seria composição da minha mente? Não recordo se estou acordado, Ou se há muito tornei-me doente.
Sinto-me engolido pelo vazio, Em estado completo de demência. Poderia evadir-me deste covil,
Portando uma bárbara consciência? Temo padecer hílico, só e vil, Enquanto existo por conveniência.
Porque sou apenas um falto tronco, Cego, mudo e por fim afônico. Meu pensamento jazerá esconso,
Em um letargo catatônico. Apenas ouço um maldito ronco, Que se repete e torna-se crônico.
Posted Jul 29, 2025, 6:17 AM UTC