Anestesia.

Poema Autoral

Arrancaram-me a língua rija, Para que eu não pudesse bradar. Extirparam-me a vista rica, Para que eu não pudesse mirar.

Amputaram-me os braços firmes, Para que eu não pudesse lutar. Deceparam-me as pernas infirmes, Para que não pudesse levantar.

Não posso rememorar onde estou, Porque há muito fui anestesiado. Eu não consigo mais saber quem sou, Pois estou tolhido e amasiado.

Realmente estou acompanhado, Ou seria composição da minha mente? Não recordo se estou acordado, Ou se há muito tornei-me doente.

Sinto-me engolido pelo vazio, Em estado completo de demência. Poderia evadir-me deste covil,

Portando uma bárbara consciência? Temo padecer hílico, só e vil, Enquanto existo por conveniência.

Porque sou apenas um falto tronco, Cego, mudo e por fim afônico. Meu pensamento jazerá esconso,

Em um letargo catatônico. Apenas ouço um maldito ronco, Que se repete e torna-se crônico.

Posted Jul 29, 2025, 6:17 AM UTC

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