Casado no papel, solto na rua: o lado obscuro da família tradicional
Se você é um hétero enrustido, não aconselho a ler este texto. Ou, caso seja cego e confiante de que a “família tradicional” é intocável e nunca erra, também não. Hoje trago uma das verdades,sem hipocrisia, sobre o lado obscuro de muitas famílias tradicionais ao redor do mundo.
Sabe aquela música do Sam Smith, Unholy? Bastante criticada mundialmente por causa da estética abordada e, claro, pela verdade que a letra transmite. Sim, verdade. Hipócrita é quem acha que Sam não retrata a realidade nessa música. Ah, posso citar também o caso recente daquele chinês que enganou 1.600 homens se passando por uma mulher. Rs. Esse é melhor ainda.
Sou uma pessoa que conhece muita gente. Ando demais por aí. Tenho uma facilidade enorme para fazer amigos , embora goste bastante de ficar sozinha. Hoje, já não enxergo os homens como antes. E isso, sinceramente, se tornou irrelevante para mim. Sempre me aproximei de todo tipo de pessoa sem me importar. Gosto de ouvir histórias, conhecer mais. Sou curiosa por natureza.
Um dia, estava numa das padarias mais famosas de São Paulo (ou a mais famosa), chamada Bella Paulista. Amo aquele lugar, tem uma pizza que, sinceramente, é a melhor que já comi. Estava sentada no balcão quando uma pessoa puxou papo comigo. Era um homem gay, mais velho, parecia ter uns 45 anos. Cabelo loiro, ralo, na altura dos ombros. Um pouco acima do peso, branquinho de bochechas rosadas. Ele me elogiou, comentou sobre o meu cabelo, disse que eu havia chamado sua atenção. Começamos a conversar sobre o que cada um fazia. Ele era banqueiro, morava por ali e estava na padaria para um encontro… com um hétero. Sim, ele tinha um “encontrinho” com um hétero. E esse hétero era casado.
Na hora, várias interrogações passaram pela minha cabeça. Ele percebeu minha surpresa, sorriu e começou a explicar que aquele era apenas um dos vários héteros com quem ele saía semanalmente. Mostrou-me sua lista, vídeos, e a beleza desses homens. Eram vários. Todos absolutamente todos casados.
Disse ele: — Coitadas das esposas. Eu fico pensando… comigo, ao menos, eles usam camisinha. Mas e com essas piriguetes da rua? Com certeza não se protegem.
Perguntei: — Mas eles ficam com outras mulheres também?
Ele respondeu: — Claro! A maioria dos homens busca putaria, não importa com quem. Se tem um buraco, já basta. Mas penso muito nas esposas. É triste. Depois ele me perguntou: — Você namora?
Respondi que não.
— Então continue assim. Siga solteira. Homens só servem para desgraçar a vida de vocês, mulheres. Acho sinceramente que vocês são preciosas demais para eles, pois não valorizam vocês. No casamento, usam vocês como empregadas, enfermeiras… Muitos maltratam, batem. Você tem ideia de quantos agem com violência ou até matam por causa dos seus desejos reprimidos? Deitam com outros homens, com prostitutas, e depois dormem com as esposas como se nada tivesse acontecido.
Perguntei se ele questionava esses homens sobre o porquê de agirem assim. Ele disse que sim, mas ele mesmo não entendia. Alegava que o sexo, para o homem, é diferente: enquanto a mulher precisa de conexão, o homem só precisa de vontade e oportunidade. Vai lá, faz o que quer, e sai. Segundo ele, muitos recorrem à rua porque dizem que as esposas não os satisfazem. Bem, pelo menos essa é a justificativa dos héteros casados.
Resolvi perguntar a idade dele. A resposta me surpreendeu: 64 anos. Me assustei.
Ele então mostrou alguns vídeos. Estava fantasiado de mulher. Ele se considera um queer : se monta e, assim, fica com esses homens. A imagem, sendo sincera, não era muito atrativa. Mas depois da chinesa lá, nada me surpreende.
No fim, ele me disse que o mais importante da vida é o tempo que passamos com a nossa mãe.
— Felicidade é tomar café com bolo numa tarde de domingo ao lado da sua mãe.
Falou emocionado. Perguntei se a mãe dele era viva. Para minha (não) surpresa, ela já havia falecido. — Parece que foi ontem que ela estava aqui, mas já se foram dez anos.
Também o questionei sobre por que não procurava outros gays. A resposta veio como esperado: — O público gay é exigente demais com aparência. Querem tudo perfeito: rosto, corpo… Já não tenho idade nem paciência pra isso. Esses homens com quem saio não se importam com isso. E eu entendo. Tenho vários amigos gays e sei do que ele está falando. A exigência é real.
Ele ainda completou: — Mas é aquilo… gay, pelo menos, é feliz por ter saído do armário, né? E, ao menos, não bate em mulher como os héteros. Já são sexualmente resolvidos.
Confesso: essa conversa mexeu comigo. Comecei a juntar peças soltas na minha mente. Como eu disse, tenho amigos gays e me lembro de alguns comentarem que estavam saindo com caras casados. Achava que era um caso isolado. Mas não: é mais frequente do que imaginamos.
Um dia, no salão, conversando com o assistente do meu cabeleireiro sobre isso, ele comentou:
— Amiga, outro dia saí com um boy pelo app. Foi ótimo! Mas, na semana seguinte, uma cliente veio aqui e mostrou o marido. Quando vi quem era… quase infartei! Era o boy de uma semana atrás. Peguei o marido da cliente — sem saber!
Não me surpreendi. Depois da conversa com o homem da Bella Paulista, nada mais me surpreende.
Aliás, você deve estar pensando que só estou falando de relacionamento homoafetivo. Eles estão em alta, definitivamente, apesar de eu ainda não saber o porquê com previsão. Desconfio. Mas será que a liberdade sexual está tão aloprada que a maioria dos homens querem conhecer “o outro lado da moeda”? Não sei.
Mas vamos falar dos prostíbulos.
Morei muito tempo ao lado de um. Luxuoso, discreto, com vários seguranças na porta. Eles eram meus amigos, por sinal. Às vezes, eu enfiava a cabeça para espiar. O cenário era parecido com o do clipe do Sam Smith. Lá, só havia mulheres lindas, ou perto de lindas. Os frequentadores? Empresários de sucesso, jogadores de futebol, estrangeiros. Apenas homens de alto nível, que precisavam de discrição.
Aliás, puta boa é puta que não expõe. Esses homens são figuras públicas. Precisam de diversão, mas sem virar fofoca.
O local sempre enchia, principalmente durante a semana, logo após o expediente. Lembro da história de um padre que frequentava o prostíbulo. Sabe do que ele gostava? Que lambessem os pés dele. Pagava R$ 1.500 para que alguém lambesse o dedão. Não me pergunte se era dinheiro do dízimo. Espero que não. Mas era freguês fiel.
Vejo tanta coisa nessa vida que já cheguei ao ponto de não me surpreender mais.So que a vida sempre dá aquele jeitinho !
Agora você entende por que tantos gays são contra a “família tradicional”? Porque eles conhecem na pele a hipocrisia desses homens.
Como conclusão, digo: hoje, é muito mais difícil um homem ser fiel. Até existe, mas é raro. E as redes sociais só pioram: o cardápio é amplo, a dificuldade é zero. Se você não quer, tem quem queira.
E olha a sujeira que essas pessoas arrumam… Então sim, Sam Smith está certo. A música dele não é uma blasfêmia. É uma realidade, tanto para héteros, quanto para gays. E a “sister” lá da China? Só concluiu o que Sam canta. A diferença é que ela pedia comida em troca. E precisava comer, né? Pelo menos lucrava com seus videozinhos…
Esse é o século XXI. Temos que aplaudir?
Posted Aug 4, 2025, 4:25 PM UTC