Entre cartas e esperança, a história de Tomás e Maria - n.º 37

Em Vila Rica, no ano de 1782, vivia Tomás Antônio Gonzaga, poeta e advogado com cerca de 30 anos de idade, e Maria Doroteia, de 16 anos, que era apaixonada pelo advogado. Embora compartilhassem dessa paixão, os pais da jovem não aprovavam o relacionamento. Maria usava, portanto, da ajuda dos escravos de sua família para se encontrar com o poeta e trocar cartas com o mesmo.

Tomás, além de advogado e poeta, participava frequentemente de reuniões das chamadas Inconfidentes, grupos de padres, poetas e membros da elite mineira em geral que reclamavam da exploração econômica e da política fiscal da coroa portuguesa. Em 1789, Tomás Gonzaga foi levado preso para a Ilha das Cobras, pois o Coronel Silveiro havia traído seus companheiros. Lá, na Ilha das Cobras, após a prisão, Tomás começou a escrever cartas para Maria utilizando os nomes Marília e Dirceu.

Em 1792, Tomás recebeu a notícia de que seria exilado para Moçambique. Então, o poeta aproveitou o final de seu tempo preso para enviar cartas declarando seu amor por Marília. O advogado se estabeleceu no interior do país, onde viveu sozinho até a chegada de Maria em 1794. Maria havia passado anos procurando o poeta se guiando pelos lugares mencionados nas cartas. Em 1795, casaram-se na província, numa cerimônia íntima, restrita ao casal e a poucos vizinhos. Viveram ali juntos até o final de suas vidas, como Marília e Dirceu.

Flavia dos Santos Nicomedes - n.º 37 - 1A

Posted Sep 13, 2025, 10:43 PM UTC

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