Olá, venho tentando mostrar minhas poesias ao mundo e vim tentar no Reddit, tire um tempo para ler, e também para me perguntar algo sobre, eu agradeceria. (A poesia é sobre um prisioneiro que tenta fugir de sua cela, e um que aceita que não irá nem pode fugir. Fala sobre o conceito de ilberdade.
A ENXOVIA DO CORAÇÃO
"- desde já opunha seu ego" berrou o enjaulado
"retirarás do que vivifica os homens?" disse o ensejado com um acintoso sorriso
assim foi empurrado o mesmo para dentro da cela; de frontispicio ao teu oposto na retaguarda de teu desencarceramento
"oque estás a olhar, homem? esta paz nos teus olhos é uma carnificina para meu coração, parece que não procuras liberdade."
"procurarei livre-arbítrio após cumprir minha sentença."
"tua sentença és crer que sufocar pode te levar a glória." expressou o ensejado com anseio enquanto procurava uma saída, ou uma visão.
"então acreditas que escapar daqui te traria liberdade?"
"e o que mais traria? a cela é puro aprisionamento, não foi abençoado com a visiva ocular?"
"a liberdade pode ser considerada uma cela, a consciência é uma simples jaula de porta aberta, com juntaposta artística para outra cela, a ilusão é a vida em aceitamento do impróprio."
fraseou o enjaulado, que logo após cortou o dialógo seguinte do ensejado para falar novamente, num tom mais alto e confiante
"- o quão expressiva é a dicotomia?" expressou com sapiência e arrepsia, o enjaulado
"não existe dicotomia, situa-se minha vontade e meu desejo de fugir daqui, e ninguém impedirá minha liberdade por consequência do que fiz."
"oque tu fez?" com dúvida e a mão no queixo, perguntou o enjaulado
"extirpei os portões da prisão de minha cidadela, e soltei os homens que lá estavam." respondeu o ensejado, isolado de traços de atrição.
"e podes imaginar porque estavam presos antes de teu ato repudioso artístico?" argumentou o enjaulado.
"roubaram pão, gritaram em praça pública, amaram a pessoa errada, porque nasceram diferentes." disse o ensejado com raiva abafada, ainda mastigando a injustiça.
"então foste preso por libertar?" o enjaulado balbuciou ironicamente, enquanto amaciava as mãos em tua barba, constipado por tua certeza interna que estava prestes a estourar de si.
"fui preso por salvá-los da única prisão que existe. isto, aos olhos de ti, é pior que o delito." o ensejado cruzou os braços e, após um breve silêncio, murmurou:
"a lembrança da prisão é mais cruel que as grades." o ensejado andava de um lado a outro da cela, sussurrando agitado, quando de repente soltou-se aos verbos:
"mas não vês? ainda há saída! ainda posso escalar, cavar, quebrar! ainda possuo da ação! a liberdade reside em tentar!"
"não há nada mais aprisionador do que correr atrás do que não se entende," disse o enjaulado, agora com tom mais calmo, quase fraterno.
"a liberdade é o nome mais popular da ilusão, como uma miragem para o homem sedento." continuou o enjaulado, que foi levemente tocado pelo ensejado, num tom de questionamento fidedigno.
"e tu preferes o consolo da cela, irmão? possuis algum retardo?" disse o ensejado, após tocá-lo.
"prefiro o entendimento do cárcere, a fagulha conhecida é súpera á esperança cega." um longo silêncio se fortalece entre os dois, então o enjaulado conclui:
"talvez nunca sejamos ou estivemos livres, mas eu sou perturbado pela verdade, e tu.. perturbado pela esperança." o ensejado se delicia na parede e suspira, misturado por ansiedade e medo, olhando fixamente para a fresta de luz no alto.
"e se for essa esperança que me mantém vivo?" disse o ensejado, finalmente calmo, mas com o medo que lambia teu peito.
"então não há nada de novo debaixo do sol." terminou o enjaulado, provocando o silêncio de uma reflexão, e o início de uma filosofia eterna, a liberdade.
POSFÁCIO
talvez esperasses ao fim alguma luz ou abertura mas não há nada além de um eco a liberdade é um bicho que se desfaz no toque um cheiro que some quando se nomeia um vulto que ri de quem corre atrás o ensejado e o enjaulado não são dois são partes quebradas de um só corpo um grita por sair o outro por ficar mas ambos são prisioneiros da mesma ignorância o ensejado se vê forte porque se move o enjaulado se vê sábio porque estagna mas nenhum deles olha no espelho nenhum percebe que se julga livre ao negar o que é o diálogo entre eles é um espelho posto entre duas sombras cada fala é uma facada no próprio peito e mesmo assim sorriem enquanto sangram a maior prisão não tem grade tem ideia a maior cela não é feita de ferro é feita de certezas se ao final algo restar que não seja resposta deixe que seja silêncio porque o silêncio ainda pode abrir portas que a palavra tranca
Posted Sep 28, 2025, 1:39 PM UTC