Porcos de Medlesburg Parte 5

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Eu tinha voltado ao meu estado cinzento. Estava muito afundada em minha própria mente e a última coisa que eu queria era ver pessoas. Ter que agir normalmente com Katrina e a criança me desgasta rápido demais. Qualquer mínima interação com pessoas de fora me deixava cansada e irritada, e eu não conseguia parar de pensar naquele corpo. Meus cadernos estavam cheios de escritos, os blocos de nota esborrando de rascunhos de canções e meus cadernos de desenhos repletos de rabiscos pesados e giz de cera. Prolonguei minha falsa doença pelo máximo de tempo que consegui. Não queria ir para a escola. Na quarta, porém, não havia mais desculpas que eu poderia dar, então me rendi. Mandei mensagem no grupo avisando que iria, mas ninguém respondeu, o que, claro, me deixou ansiosa e irritada.

Fiz questão de caminhar o mais devagar possível até a escola. Cheguei voluntariamente atrasada. Lucy estava lá, mas Zack não. Fazia sentido, eu acho. Me sentei em meu lugar e olhei bem para seu rosto, seus olhos. Ela parecia cansada, mas não exatamente diferente. Não nos falávamos desde aquele dia, e eu não sabia como agir. Se deveria falar alguma coisa sobre ou não. Será que ela pensava tanto quanto eu? Falei, enfim:

— Você tá aqui.

— É, eu vi sua mensagem.

— Zack não veio.

Lucy suspirou.

— Não, não veio. Quero dizer, é o Zack. Ele nunca vem. — A garota apoiou o queixo na mão, pensando demais.

— Como... como você tá, Lucy? — Seus olhos se voltaram aos meus, brilhantes castanhos como sempre, mas sua expressão carregava um peso terrível.

O sinal tocou antes que ela pudesse dizer algo. Isso me deixou ansiosa. O que ela pensava sobre? Eu precisava falar alguma coisa ou iria explodir. Explodir de ansiedade.

Esperei que a aula acabasse e arrastei Lucy para o banheiro. Fazíamos isso para matar aula, além de não ter cabeça para aturar mais alguém falando merda no meu ouvido, eu precisava falar com ela.

Tinham algumas garotas no banheiro que não demoraram para sair. Estávamos sozinhas. Lucy entrou numa cabine e estava falando alguma coisa. Depois saiu e foi lavar as mãos.

— ...e eu achei absurdo. Quero dizer, quem ao menos diz uma coisa dessas?

— Lucy...

— ...estou te dizendo, a garota era linda! Puxa, ele era mesmo um idiota no fim...

— Lucy. — ...mas ficou tudo bem desde que ela começou a sair com a Ray. Eu sempre disse que ela era uma...

— LUCY! — Eu a agarrei pelos ombros e a virei de frente para mim. — Lucy, para. Eu sei que é foda pra caralho, mas é impossível ignorar algo assim, Lucy. Só... só não dá...

Ela me olhava quase incrédula. Automaticamente se calou. O olhar distante. Vazio. Enterrou o rosto nas mãos.

— Você não precisa carregar tudo sozinha, Lucy. Fala comigo.

— Não fale como se fosse um fardo. Não é a porra de um trauma.

— Então fala, Lucy. Droga, é impossível negar algo como...

— Não é negação, Moth! Quem diabos negaria uma coisa dessas? Era um cadáver, tá? A porra de um cadáver! E... ah, céus... — Lucy suspirou. — Eu tô com medo, Moth. Eu tenho medo de falar sobre isso e se tornar mais real...

Eu tirei as mãos de seus ombros.

— Eu entendo. Eu... eu nem consigo acreditar direito. É só... estranho demais. O que a gente faz?

Lucy arregalou os olhos.

— Como assim?

— Quero dizer... era uma mulher morta. A gente liga pra polícia? Conta pra alguém?

— Eu... caralho, eu não sei. A gente fez merda. Caramba, a gente tá fodido. O que a gente faz? Você contou pra alguém?

— Nem ferrando. E você?

— Não... olha, a gente tem que contar pra alguém, né? A gente pode dizer que ficou com medo de falar antes... sei lá...

Senti como se tivesse deixado cair meu coração por um momento.

— Ah, não...

— Não?

— E se a gente se meter em encrenca por isso?

— Quê? Como? Não fui eu quem matei aquela mulher.

— Mesmo assim, Lucy. Não é mais um episódio de Dexter. Você não acha que deveríamos ser mais cautelosas??

— Cautelosas após invadir um lugar abandonado e achar um cadáver! A gente tem que falar pras autoridades, Moth.

— Mas... — suspirei. — Provas. Não temos provas.

Lucy ia falar alguma coisa, mas desistiu. Virou-se e apoiou as mãos na pia do banheiro. Pelo espelho, eu podia ver sua expressão refletindo tensa.

— Então não fazemos nada.

— Não há nada que possamos fazer.

Lucy suspirou. Eu suspirei. Estava incomodada e inquieta.

— Você voltaria lá, Lucy?

Ela abriu a torneira, encheu as mãos em concha e jogou no rosto. A torneira ficou aberta, espirrando água para todo lado.

— Não é justo falarmos sobre isso sem o Zack.

— Mas, Lucy...

— Ele também tava lá.

— Você viu o que aconteceu com ele.

— Ele também tava lá, Moth.

Falávamos por olhares agora, nos encarando intensamente. Sem uma palavra sequer, fizemos um acordo de não voltar a falar sobre o assunto sozinhas. Podíamos pensar o que quiséssemos, mas era impensável excluir Zack disso.

Estávamos juntas o dia todo, mas as poucas palavras que trocamos eram muito vazias. O clima estava péssimo, e parte por minha culpa. O que eu poderia fazer? Não havia como ignorar os fatos, mas aparentemente eu não podia jogá-los na mesa, muito menos tomar uma decisão pelo grupo.

Zack sequer pisou perto da escola ao longo da semana. Não respondia mensagens, ligações, nada. Estava começando a achar que ele tinha se matado, sinceramente. Lucy suspirou ao telefone.

— Eu não o vi desde então.

— Você viu como ele ficou. Foi o mais afetado com tudo aquilo. Sabe, eu acho que deveríamos checar aquele idiota, saber se está vivo.

— É, né? Eu tava pensando nisso. Que tal hoje?

— Hoje...?

Lucy, do outro lado da linha, quase engasgou.

— O quê?? Nosso amigo pode estar afundado em depressão e você não quer ir porque é sábado?!

— Pare de gritar, você sabe que eu uso fones. — Suspirei. — Tanto faz, mas você passa aqui pra me buscar.

— Chego em cinco minutos.

Ela não estava brincando. Em cinco minutos estava na minha porta. De segunda pra cá, Lucy parecia bem melhor. Eu não tinha dúvidas de que ela se recuperaria bem. Meu pobre Zack, por outro lado...

Andamos uns bons minutos até chegarmos na casa de Zack. Não costumava ir lá com frequência, mas sempre era agradável, apesar de meio bagunçado. A casa dele era legal, grande. Foi aí que me lembrei que estava rodeada de riquinhos mimados. Lucy e sua família rica, Zack e seus negócios de família, e, bom, eu. Tocamos a campainha. Sabíamos que os pais dele não estariam em casa, eles nunca estavam. Por isso Zack conseguia fazer tanta merda. Não demorou muito para que ele atendesse.

— Ei! Eu vi vocês pelo olho mágico.

— O garoto sorriu doce, e parecia tão animado como sempre.

Era estranho, eu esperava encontrar um Zack moribundo, que recusasse abrir a porta nos primeiros dois chamados e depois se revelasse um zumbi com o cérebro afogado em nicotina.

— Oi, Zack. Você parece bem.

— Zack. Como você tá?

— Então você não morreu. Onde você tava, cara?

Ele deu de ombros, revirando os olhos de brincadeira.

— O que posso dizer. Mas se vocês quiserem eu volto lá em cima e tenho uma overdose. Venham, entrem.

A casa também estava impecável como sempre, ou quase. A presença de Zack sempre deixava um rastro.

— E aí, querem beber alguma coisa? Álcool pra Lucy? Moth, eu sei que não bebe, mas tem energético. — Disse o garoto abrindo a geladeira e dando tapinhas no balcão da cozinha para que nos sentássemos.

— Eu aceito o energético.

— Eu passo.

— Então um energético pra Moth e um nada pra Lucy. Combina com você. — Lucy deu um murrinho em seu ombro e nós rimos.

Nos sentamos nos bancos, eu me apoiei no balcão. Lucy estava séria.

— Como você tá, Zack? Ele deu de ombros outra vez.

— Tô indo.

— Zack, você sabe por que estamos aqui.

O sorriso em seu rosto se desmanchava aos poucos, mas seus músculos contraíam involuntariamente numa tentativa de mantê-lo. Sua função era de manter o clima leve, a minha era de pesá-lo, e a de Lucy era de ficar abismada e reagir.

— Eu sei... sei bem que não tem como correr. — Zack tinha uma toalha de rosto ao redor do pescoço e seus cabelos ainda estavam molhados. — Eu pensei muito, sabe, essa semana. Eu pensei, pensei... não porque eu quis, eu só não conseguia, sabe?

— E o que exatamente você pensou? — Lucy indagou.

— Eu... fecho meus olhos e vejo aquilo. Não durmo desde quinta. Eu penso sobre como é culpa nossa por termos abandonado ela.

— Não tinha nada que podíamos ter feito, Zack — retruquei.

— Mas podemos fazer agora. A gente tem que falar pra polícia.

— Com que cara? Não temos provas.

— Não precisamos de provas... a gente só precisa falar..! É pra isso que eles tão ali, né? Investigar... eles vão lá, vão ver o corpo, vão investigar e vai ficar tudo bem...

Lucy e eu trocamos olhares.

— Bom, essa era a ideia de Lucy mesmo... — Dou de ombros.

— Vocês acham que eles iriam nos ouvir?

— Ouvir vão, mas isso não garante que nos levem a sério.

— Escutem — Zack praticamente se jogou no balcão, juntou as mãos e respirou profundamente. — Escutem... nós temos que levar isso até a polícia. Nós precisamos. — Não era uma ordem, não era um pedido, era o apelo de um amigo ferido.

Passamos horas discutindo a situação da forma menos invasiva e agressiva possível. No final, realmente escolhemos ir até a polícia no dia seguinte. Eu estive preocupada, porém, com o estado de Zack. Não tinha certeza se ele estava ou estaria em condições de dar um depoimento.

Em casa eu continuava a mesma. A cabeça rodando com tudo. Quanto mais tempo se passava, mais distante e frágil a memória daquela tarde parecia, e essa era uma possibilidade que me assustava. Se tornava cada vez mais irreal. Eu, em algum ponto, esqueceria, e não havia nada que eu pudesse fazer.

No dia seguinte, meu compromisso coletivo na delegacia foi a primeira coisa que ocupou minha mente. Odiava sair de casa, odiava ter que me envolver numa nova situação e odiava ter de pensar em arrumar uma outra desculpa para contar à Katrina e cobrir meu paradeiro. Mas trato era trato, e eles queriam tanto resolver isso... Eram duas da tarde quando o Jeep de Zack buzinou em minha porta. Era um carro bem legal, um Renegade preto fosco personalizado, cheio de adesivos, rodas maiores que o normal e tudo de punk que um adolescente rico tivesse o direito de ter. Zack se apresentava animado como sempre, mas eu podia ver como suas mãos tremiam. Lucy, no banco de trás, demorou a notar minha presença. Parecia muito absorta em si mesma, e era como se uma força maligna houvesse roubado parte de sua essência e energia. Eu e Zack estávamos tentando aliviar o clima, apesar do silêncio desconfortável. Lucy não fez muita questão, mas também não estava sendo teimosa. Era uma situação muito estranha, como se não nos conhecêssemos, como se eu os tivesse que conquistar novamente.

Quando chegamos à delegacia, Lucy pareceu despertar e parte de si mesma voltou. Fiquei aliviada quando ela pegou minha mão e sorriu. Por algum motivo, tinha essa vaga sensação de que seu comportamento apático era culpa minha, mas talvez fosse apenas minha mente me pregando peças. Outra vez. Seja como for, Lucy tomou a direção da interação, já que Zack começou a ficar nervoso, e eu via quando passava a mão sobre o estômago vez ou outra. O policial que estava lá parecia entediado, mas logo assumiu uma pose prestativa ao ver a porta se abrir, por mais que tenha murchado quando percebeu os três adolescentes idiotas entrarem, ainda tentou ser simpático.

— Eh... — Lucy começou, sem saber bem como. — Boa tarde.

— Boa tarde! Como posso ajudar as crianças?

— Bom, queremos fazer uma denúncia...

— Ah, mais drogas no banheiro da escola? Acho que nem se mofássemos naquele lugar a gente ia conseguir pegar todos eles. Merdinhas... Enfim, só diz o nome da escola, dos moleques e a gente dá um jeito.

— N... não. Não é isso...

— Pichação, invasão, conduta inapropriada... assédio?

— Um corpo. Caramba, encontramos um corpo. — Lucy bateu na mesa.

O policial parou de boca aberta ainda na palavra cortada, piscou alguns segundos e se abaixou.

— Um corpo? Aqui?

Lucy não disse nada, apenas o encarou sem muita paciência. Os olhos do homem encontraram os meus, os de Zack e depois os meus de novo, antes de voltarem à Lucy. Ele riu.

— Um corpo? Cadáver? Em Medlesburg? Vocês tão brincando, né? Essas crianças... Ei, Matthews! Vem ver só o que essas crianças estão dizendo.

Eu revirei os olhos.

— Pelo amor de Deus, eu não saí de casa à toa. Você pode só fazer o seu trabalho direito e levar isso a sério? — eu disse.

O sorriso do policial murchou e ele pareceu chocado de novo. Enquanto isso, um outro policial, Matthews, apareceu por trás do balcão. Ele parecia mais velho, cansado, e tinha barba branca e uma caneca nas mãos.

— E o que é isso mesmo, hein? Levando bronca de uma garota?

— Nós achamos um corpo, senhor — disse Lucy.

— Escutou só? Dá pra acreditar? — o mais novo bufou.

O policial Matthews, porém, assumiu uma pose mais séria e franziu as sobrancelhas grossas.

— Corpo? Onde?

— Na fazenda abandonada depois da antiga estação.

Os dois se entreolharam.

— Fazenda? — Pareciam quase indignados entre si. — A fazenda dos Degroius, você quer dizer?

Lucy olhou para nós, buscando alguma familiaridade no nome.

— Isso não sabemos dizer.

O policial mais novo olhava com expectativa para Matthews, que analisava nossos rostos um a um, muito sério e pensativo.

— Sem chance que você está considerando isso.

O mais velho tomou um gole do que quer que estivesse na xícara, mastigou, apertou os lábios e disse:

— Vamos pegar o depoimento de vocês. Me sigam.

Nunca havia me enfiado numa situação como aquela antes. Fomos levados a salas separadas. Eu fui a segunda a ser ouvida, aparentemente. Às vezes o policial usava termos complexos que eu não conhecia no inglês, o que atrasou um pouco o colhimento de informações — nada muito problemático, porém. Contei toda a história como aqui conto, ao mesmo tempo que minha cabeça pensava em como meus amigos estavam se saindo. Depois de algo como quarenta minutos, fui dispensada e encontrei Lucy sentada em uma das cadeiras vagabundas no corredor decadente. As paredes tinham cheiro de terra molhada. Fiquei parada em sua frente e seus braços envolveram minha cintura, e seu rosto enterrou-se na minha barriga. Passei a mão por seus cabelos e não falamos nada até ouvirmos o click de uma porta se abrindo. Zack saiu de uma das salas acompanhado pelos dois policiais. Estava pálido e parecia prestes a cair duro no chão a qualquer momento. O fizemos sentar, e o policial mais novo — o qual descobrimos mais tarde se chamar Owen (tinha como ser mais clichê?) — trouxe um copo de água.

— Certo, então... — Matthews suspirou. — Vamos investigar, certo? E... bom, é, vamos dar uma olhada. — Deu de ombros. — Vou precisar do número de contato de algum de vocês que já tenha dezoito anos.

— Aqui — Lucy se prontificou. — Vocês vão ligar, né? Se acharem alguma coisa...

— É, a gente liga. Obrigado pelo seu tempo.

A esse ponto, ele estava obviamente nos expulsando da delegacia, então apenas seguimos nosso rumo. Agora o ar tinha aquele gosto agridoce, e eu, sinceramente, me sentia um vira-lata. Descansamos alguns bons minutos no carro, onde lágrimas de alívio rolaram silenciosamente pelo rosto de Zack. Nós nos abraçamos e decidimos que merecíamos sorvete com muitas gotas de chocolate.

Eram, se não me engano, quase nove da noite do dia seguinte. Katrina estava despojada no sofá, rolando o feed do Instagram e soltando um “quanta futilidade” a cada cinco ou sete posts. Eu estava tagarelando algo como “você prefere...” e dando as opções mais absurdas do mundo, enquanto tentava fazer com que a bebê não engolisse metade dos bloquinhos de montar. Katrina me olhava torto a cada palavra, apertava os olhos, ria e dizia que deveria me levar correndo a algum psiquiatra ou me internar.

— Que absurdo, eu não vou gastar meu tempo num lugar daqueles.

— Não é uma escolha, Moth. Eles provavelmente a colocariam numa camisa de força e lhe dariam uma máscara de mordida. Você andaria por aí em um daqueles carrinhos, igual o Hannibal Lecter.

— Como? Ah, não, não. Sinto muito, mas eu ainda pretendo casar com você.

Ela revirou os olhos.

— Ah, essa criança...

Passamos mais alguns minutos conversando, até que ela de repente parou e focou sua visão em algum espaço no chão.

— Aquele é o seu celular ligando sozinho?

Me virei para ver e, de fato, era meu celular. Não ligando sozinho, porém. Alguém estava me ligando. Lucy. Assim como notei as outras cinco ligações perdidas.

— Eu acho que realmente preciso atender isso aqui... fica com ela por mim? — Entreguei a pequena à sua mãe e corri até o quarto para atender.

— Alô? Lucy? O que foi?

— ...nada.

— O quê? Fala mais devagar, calma, tá cortando...

— Não acharam nada, Moth. O Matthews acabou de me ligar, eles foram até a fazenda, até o curral. Não tinham porcos. Não tinha corpo.

Como assim “não tinha corpo”? Por quê? Como isso sequer era possível? Meu sangue gelou. Meu estômago deu piruetas e eu tive que me sentar.

Posted Nov 3, 2025, 9:12 PM UTC

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