Dinis II (Parte II). Avaliem, por favor.
Há um tempo, quase um mês, postei a primeira parte do segundo capítulo da minha história experimental. O enredo gira em torno da preparação para uma batalha e da batalha em si. Os beligerantes são uma metrópole e sua colônia que busca independência.
Os personagens principais são quatro: dois generais e dois soldados, um de cada lado.
Para que você entenda, tem de ler antes este aqui: https://praeteritumlh.substack.com/p/dinis-i-parte-1
Dinis II:
Mas como chamaria a atenção daquela turba? Ora, muito fácil! Ele apenas falaria.
Sendo duque de Alcântara, ele possuía uma autoridade natural proveniente de sua estirpe.
Esta, aliás, semidivina, tendo em vista que sua família traçava descendência a partir da náiade Ornella, a das Mexas d’Ouro, irmã do próprio Elarião. — Além de sua concubina, segundo algumas versões da lenda.
Dinis se erguia acima de — quase — todos os homens naquela sala, mas ao se empertigar ganhou mais alguns centímetros. Encheu seu peito de ar e soltou suas fortes palavras:
— Acabem com essa loucura! Ouçam-me! Eu sou Dinis d’Alcântara Portal, duque de Alcântara! Desejo falar!
Ao ouvir seu grito, os homens no cômodo tomaram a seguinte atitude:
Continuaram gritando.
É claro que nada aconteceu. Seu grito se misturou aos gritos de tantos outros.
Ora! Não terão me ouvido?
— Eu sou Dinis. Ai! — Alguém deu-lhe um safanão. Quem, não sabia.
O quiproquó no cômodo tornou-se mais acentuado.
Estavam todos empurrando-se, e dois homens começaram a trocar socos — só o Criador saberia o porquê.
Eles pararam apenas quando, do nada, um terceiro homem aproximou-se, dando trancões naqueles que estavam ao redor da confusão e se pôs a socar ambos os brigões.
Selvagens!
Alguém tinha de acabar com a briga. Se aquilo continuasse, ou se os punhais e garruchas fossem sacados, seria o fim! Iborán estaria perdido, e um bom confisco, na melhor das hipóteses, esperaria todos eles.
— Chega, chega! — Gritou Dinis com as mãos erguidas — Parem com essa briga! Agora!
Novamente ignorado.
Dinis olhou para a mesa e tentou chamar a atenção de seus ocupantes.
— Exijo a parte! Major Veloso, Major!
Veloso não lhe dava a mínima atenção, já que gritava para tudo e todos enquanto tentava fazer-se ouvir — ainda insistindo não ser incompetente, e falando dos rapazes da colina. Parecia um louco.
De qualquer forma, seria incapaz de ouvi-lo e, caso o fizesse, o ignoraria.
Dinis não se deu por vencido.
— Ma… Armando! Cabral, eu exi-exijo meu direito a fala! — Essa tentativa também não surtiu efeito.
O líder dos Cabral também não o ouvia e, se o fizesse, da mesma forma que Veloso — porém por motivos diferentes —, o ignoraria.
Lavrador havia sumido — estava embaixo da mesa — e Carcará apenas comentava algo com dois outros aborígenes.
Não! Isso, não! Negaram-lhe um acento a mesa, mas não lhe tirariam o direito de tomar parte nas discussões. Não tirariam!
Dinis gritou e berrou como o resto dos homens no cômodo. Seus gritos, como os deles, foram ouvidos, incompreendidos e ignorados.
Um homem, que Dinis reconheceu sendo um de seus jagunços, — dos quais, apenas metade dos que levara a reunião ainda estavam próximos a ele — empurrou-o.
Após um momento no qual esteve atônito, foi a vez de Dinis esmurrar o homem.
Este, como tantos outros, havia viajado pela sala aos trancos e não fazia ideia de quem eram os homens ao seu redor. Apenas os empurrava.
Quando percebeu que havia agredido seu duque, começou a balbuciar qualquer coisa e levantou as mãos.
Dinis não ouvia o que o jagunço dizia, mas sabia serem desculpas pela forma atropelada dos lábios dele se moverem e por seu olhar amedrontado. Isso também não importava. Dinis remoia. Aquilo teria volta. Tinha de ter. Mas isso era para outro dia.
Ele olhou em volta para a turba descontrolada.
Bando de animais! Não podem discutir como gente civilizada?! Será que tudo com esse povo têm de ser resolvido a base do berro ou a mão armada… Opa! Eis uma ideia!
Uma ideia maluca. Mas a única que tinha.
Caso tenha gostado até aqui (tem maluco pra tudo), continue lendo através do link abaixo.
Posted Dec 3, 2025, 1:55 AM UTC