Por que o Flamengo deu certo e o Grêmio não

Discussão

Tava lendo a entrevista do Bruno Spindel, ex-diretor executivo do Flamengo, pro jornal AS, parte reproduzida pela ZH. Ele trabalhou na equipe carioca durante 13 anos, saiu há alguns meses. Ele diz:

"Em 2012, o Flamengo estava com muitas dívidas. Começamos a trabalhar por um novo contrato com a Caixa, Peugeot, Adidas... em 2019, com Jorge Jesus, começamos a ganhar. Fizemos a venda de Paquetá ao Milan (€35+10 milhões) e de Vinicius Júnior ao Real Madrid (€45 milhões). Depois disso, conseguimos fechar com novos jogadores para competirmos melhor. Contratamos Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Pedro", recordou Spindel ao diário esportivo.

Logo começamos a mirar a Europa. Trouxemos Jorge Jesus, que foi um acerto. Depois, trouxemos jogadores de outro continente: Filipe (Luís), Rafinha, Gerson, Pablo Marí. Começamos a trabalhar taticamente como na Europa. Fomos campeões no Brasil", prosseguiu."

Corta pra gente: em 2016, 17 e 18, éramos um time modelo: campeão do Brasil e da Libertadores, mesclando muitos guris da base com jogadores experientes e com ambição. Era uma roda que girava, e parecia que o ciclo virtuoso se manteria.

Até que chega 2019, nossa fórmula começa a dar sinais de desgaste. Enquanto isso, o Flamengo forma um time mesclando bons jogadores e craques, nos humilha, e ganha praticamente tudo naquele ano. O Grêmio entende erroneamente que havia saído dos trilhos porque o time carioca """tinha um elenco de R$200 milhões""", expressão usada à exaustão pelo treinador da época.

A diferença é clara: um clube usou o dinheiro de suas vendas para trazer bons jogadores com ambição. O outro, torrou tudo em vagabundos em fim de carreira que não queriam nada com nada.

Fontes indicam que arrecadamos aproximadamente R$1 bilhão em vendas desde 2017, com as saídas de Arthur, Cebolinha, Pepê, Tetê, Matheus Henrique, Bitello, Pedro Rocha e vários outros. O Flamengo usou os seus €90 milhões de Paquetá & Vini Jr pra comprar e/ou trazer jogadores de bom nível e com apetite competitivo. Pelas bandas do Humaitá, em vez de trazer bons jogadores e com desejo de vencer, a direção da época adotou a postura de trazer atletas com passe livre e pagando apenas salários com a luva diluída. O que parecia fazer sentido, teve como resultado o empilhamento de jogadores veteranos e sem qualquer aspiração mais na carreira, além da quebra financeira do clube.

Passaram por aqui atletas como Diego Tardelli, André Balada, Douglas Costa, JP Galvão, Everton Sembolinha, Robinho, Thiago Neves, e muitos outros com salários altíssimos, e sem qualquer retorno em campo. Olhando hoje, parece um deboche, uma loucura.

O fim da gestão Romildo e a gestão Guerra preferiram outra abordagem, ao tentar comprar sul-americanos jovens para ter resultado em campo e logo vendê-los por um valor maior. Cristaldo, Carballo, Arezo, Aravena, Campaz. Parecia promissor, mas essa estratégia também fracassou, praticamente nenhum deu certo.

Estamos entrando em 2026. Esse nosso momento atual me lembra muito os nossos 2014 e 2015. A direção atual demonstra mais vontade de adotar uma abordagem austera e responsável, se valendo de uma boa base de time para promover jogadores promissores da base e fazendo contratações pontuais apenas. Que tenhamos finalmente aprendido com nossos erros para corrigir a rota, porque na velocidade que o pelotão da frente tá se descolando esportiva e financeiramente, um novo erro grave como esses últimos pode ser fatal.

Posted Dec 29, 2025, 6:29 PM UTC

1822
Loading comments…