Primeiro dia em anos

Desabafo

Hoje é o primeiro dia, em anos, que a melancolia voltou e me bateu.

Uma mistura de silêncio com angústia. Nostalgia com dúvida. Saudade com dor.

Eu quase choro, enquanto cada palavra escorre pelos meus dedos e formam esse texto.

O que exatamente eu sou? O que exatamente eu quero ser? O que exatamente eu estou me tornando?

A minha mente tá cheia, tá confusa.

Sinto vontade de gritar, de chorar. Mas quase que junto disso, quero viver, quero viver muito e encarar as coisas da vida.

Me sinto superficial, me sinto uma parcela do que eu já fui um dia.

É como se na melancolia, na tristeza, na frustração eu me encontrasse.

As vezes parece que a felicidade não ajeita as coisas, só deixa elas "limpas", mas continuam bagunçadas.

Sou, hoje, uma fração de quem um dia fui, mas não porque o que era deixou de ser... Mas sim porque o que sou, é um pedaço do que era, é um pedaço de conceitos, complexidades, melancolias, solidões.

E pela primeira vez, pelo primeiro dia em anos, hoje eu me senti sozinho, me senti isolado. Exatamente como eu me sentia há tempos atrás, quando minha companhia fiel eram os sóis dos finais das minhas tardes, o silêncio que invadia minha mente e os gatos que preenchiam o espaço daquele apartamento.

É como se eu não tivesse tempo pra respirar, não tivesse tempo pra viver, não tivesse tempo pra encarar como são as coisas e como essas coisas mudaram.

De repente eu não sou mais um adolescente vivendo dramas, nem um jovem adulto aprendendo a viver.

A ficha caiu.

Agora já é tarde demais, e eu tenho que seguir nisso, seguir nessa ideia, entender que realmente, é tarde demais.

Não dá mais tempo de viver os dramas de um adolescente, mas dá vontade de revivê-los. Não dá mais tempo de encarar diferentes perspectivas da vida, porque afinal, tomei decisões, e tenho que sustentá-las, como um adulto faria. Não dá mais tempo de acordar no meio de uma madrugada, ansioso, assustado, com medo, abrir o portão e sair correndo pela rua, porque naquele momento a caminhada no escuro, sozinho, era exatamente o que você precisava. Não dá mais tempo de ser inconsequente, de aprender nos erros, de gostar dos erros, e de entender o valor dos erros. Não dá mais.

Não dá mais tempo. Não dá mais tempo de nada!

Agora, mesmo rodeado de alegrias, rodeado de motivações, rodeado de viver, rodeado de sorrisos, eu sinto, que a tristeza que habita em mim sente fome de ser triste novamente. E essa mesma tristeza, que pelos últimos dias, teve todos os motivos pra ser triste, não foi alimentada.

Agora em vingança, a tristeza faminta que me sentia a falta, entrega metades de pensamentos inconclusivos e ansiosos.

Eu queria, nesses momentos, que fosse muito fácil pegar um carro, junto com meu amor, ir pra longe, e viver irresponsavelmente.

Tem textos aqui, guardados comigo, que reli há alguns dias, dos quais me recordo agora, que me entregam realmente a sensação de aperto definitiva do meu coração: o mundo é pequeno demais pra mim. A vida não é suficiente. UMA vida não é suficiente.

É um vício irracional em viver, com uma mistura de que mesmo assim, em todas as vidas, talvez eu nunca seja ou me sinta, do fundo do meu coração, genuinamente feliz.

Depois de tanto escrever após um intervalo tão longo de tempo entre os meus escritos, eu me pergunto se vou me sabotar novamente, ou se vou seguir em frente.

Queria eu ter mais fé em deus pra falar acreditando que "só deus sabe".

Mas sei lá, só deus sabe.

Posted Jan 8, 2026, 11:57 PM UTC

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