Não consigo não desprezar a maioria.
Desde cedo percebi que era alguém diferente.
Emoções fortes, urgência de impulsividade alta mas com auto análise excessiva.
Aprendi praticamente tudo na vida depois da primeira tentativa graças a minha auto análise e auto preservação.
Na infância, quando fiz vandalismo jogando uma pedra em um carro em movimento eu achei muito interessante e deu vontade de fazer mais. Mas quando o homem saiu do carro e começou a chamar pelos meus pais percebi o problema. Eu corri e me tranquei no quarto, então corrigi isso como coisas que me ameaçam.
Quando comecei a fazer experimentos em insetos tentei machucar o cachorro de casa jogando um martelo nele... Pelo som doeu bastante. Acontece que quando ele latiu eu percebi o perigo, corri pra casa e me tranquei. Quando minha mãe perguntou, sorri e disse: "foi nada" então daí mais uma correção: machucar animais = perigoso também. Eu fiz outras coisas parecidas também, embora antes que ficasse grave demais eu sempre parava não por moral ou pena, mas por medo. Não que eu seja incapaz de ética, tenho meus próprios valores. Bom, eu sempre tive um senso crítico muito forte mesmo na infância e aprimorei isso até os dias de hoje me orgulhando provavelmente demais do meu auto controle.
Eu nunca aprendi algo ou entendi algo sem precisar fazer antes ou analisar muito, seja ético ou não.
Nos últimos anos tenho percebido tudo isso com um olhar mais frio e analítico, obsessivamente me analisando toda noite. Por algum motivo me divirto bastante em auto análise mesmo que só sirva pra validar algo ou fantasiar.
Por ter crescido assim, me forcei a controlar todos esses impulsos fortes enquanto precisava ver pessoas agindo de formas "ignorantes" gritando ou sendo desprezíveis. Isso me fez ter forte desprezo pelas micro ações de todas as pessoas que vejo. Dessa forma, julgo todo mundo o tempo inteiro mas só internamente. Se eu julgasse falando mal de alguém mesmo pelas costas, me sentiria sujo como quem é inferior por aí. Essa seria uma ação como as dos outros e é inaceitável. Eu me controlei, agi bem no mundo e mesmo assim parece que ele não me retribui e é revoltante na verdade.
Eu percebi se eu decidisse ser alguém sem filtros, quem seria? Não sei o que seria liberdade total sem acabar sendo o que chamariam de "egoísta destrutivo" O que me causaria mais problemas... Por que a liberdade precisa estar associado a regras e moralidade? Não faz muito sentido na verdade. É um prisão mais elegante pra maioria que se diz livre.
Como eu valorizo a decência ao máximo, eu sou a pessoa mais agradável possível ao redor de quem me conhece. Eu escuto, falo o que precisam, faço os comentários certos no tempo certo porque eu aprendi perfeitamente onde estão os "micro erros" com todas as minhas experiências passadas. Me adaptei socialmente. Apesar que eu deteste secretamente ver a vulnerabilidade e o drama das pessoas... Me chame de egoísta se quiser, mas quem vai ligar pra alguém que termina um relacionamento e diz que vai se matar? Essa pessoa se fizer isso é só burra no final, não se valoriza. O frustrante no entanto é ter que fingir que me importo o tempo todo para os problemas dos outros... Pela decência, pra ser bom. Sinceramente os problemas da maioria me parecem drama que não se comparam com o que eu tenho que fazer todos os dias pra ter que fingir algo de novo. Falar sobre isso realmente me irrita porque é injusto.
A minha ideia inicial era mencionar sobre certos transtornos ou algo do gênero mas detesto parecer como quem se vangloria por isso ou que é "ignorante burro" por qualquer motivo. Decidi só escrever e deixar tirarem suas conclusões. Obviamente, isso aqui não é um desabafo. Eu estou curioso sobre o que as pessoas pensam sobre meus pensamentos na verdade. Comente sem medo porque eu aguento.
Posted Mar 4, 2026, 12:14 PM UTC