Intervalo no Maracanã: o que ele fez comigo naquele vestiário
"O Maracanã inteiro gritava lá fora.
Mas foi dentro daquele vestiário, durante o intervalo, que meu coração começou a bater mais forte do que qualquer torcida."
O barulho da torcida no Maracanã atravessava as paredes do vestiário como um trovão distante.
Lá fora, oitenta mil vozes gritavam pelo jogo.
Lá dentro… o ar parecia mais quente do que deveria.
Ele fechou a porta atrás de nós dois e por um instante nenhum de nós falou nada.
O cheiro de grama, suor e adrenalina ainda estava na pele dele quando se aproximou.
Perto demais.
Tão perto que minha respiração ficou presa antes mesmo do toque acontecer.
— A gente não devia estar aqui — eu murmurei, mais para mim mesmo do que para ele.
Ele não respondeu.
Apenas levantou a mão e encostou os dedos na minha nuca, puxando meu corpo um pouco mais para perto.
Foi quando inclinou o rosto e sussurrou no meu ouvido:
— Senti sua falta.
O arrepio correu pela minha espinha antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa.
Quando nossos lábios finalmente se encontraram, o beijo veio carregado de tudo o que ficou preso entre nós nos últimos meses.
Forte. Demorado.
Sua mão desceu por dentro do meu calção, ao sentir a presão eu soltei um gemido baixo, contido e meu corpo arqueou instintivamente.
— Eu quero mais.
Como se o tempo do intervalo fosse suficiente para tudo o que estava prestes a acontecer ali.
Ele afastou a boca da minha apenas o bastante para dizer, ainda com a respiração quente no meu ouvido:
— Eu tenho fome de você.
Lá fora, o estádio inteiro rugiu novamente.
Mas naquele momento… o jogo parecia estar acontecendo em outro mundo.
Alguém bateu na porta.
— Dois minutos...
Congelamos, tentamos nos recompor e ao sair daquele lugar, já não éramos mais os mesmos.
O segundo tempo daquele jogo começou minutos depois.
O nosso… ainda estava longe de terminar.
Continua...
Nada é fugaz. Tudo deixa marcas.
_Vestígios
Posted Mar 6, 2026, 3:42 PM UTC