A Academia e a Intelectualização do Mal

Discussão

Para ser acadêmico é necessário ter alguma criatividade, porém para mim a criatividade deve residir apenas no campo epistemológico: o acadêmico pode escolher uma miríade de métodos de pesquisa diferentes mas todos esses métodos devem ter como objetivo chegar cada vez mais próximo da verdade ontológica, que deveria ser o objetivo de todo acadêmico.

Porém, há algumas décadas, a criatividade acadêmica vazou para o campo ontológico. Nesse sentido, para vários acadêmicos, não existe mais uma verdadeira objetiva e inequívoca para se aproximar. Então o mundo deixou de ser feito de fatos e passou a ser feito de discursos que competem entre si, muitas vezes de forma dialética.

No campo do Direito que essa ontologia criativa demonstra a face mais perversa. Por exemplo, um crime para uma visão ontológica objetiva é constituído de um acontecimento no tempo que seja tipificado no Código Penal, que tenha um ou mais culpados identificáveis e que não tenha excludente de ilicitude. Porém, para uma visão ontológica criativa, o crime deixa de ter essas características e vira um espectro narrativo que pode ser moldado a bel prazer do observador, inclusive, tal observador é capaz de condenar inocentes por crimes potenciais desde que esse inocente tenha uma característica dialética indesejáveis que só pode ser ontologicamente alterada por profundas mudanças revolucionárias na estrutura econômica e na superestrutura cultural, religiosa e filosófica da sociedade.

O resultado disso é a morte da verdade, que é a vitória definitiva do Mal. Se não há uma verdadeira para ser aproximada mas sim apenas discursos que completem entre si dialeticamente, então podemos cruzar todos os limites éticos possíveis em nome de qualquer discurso.

Posted Mar 6, 2026, 9:53 PM UTC

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