Fico indignado com a falta de honestidade epistemológica dentro das academias de ciências sociais na América Latina

Discussão

Sei que o problema não se restringe à América Latina, mas a situação parece ser mais acentuada aqui. Não acredito que o método científico seja inerentemente superior a outros métodos, mas acho inadequado colocar tudo em um mesmo saco e chamar de ciência. O que tem de publicação científica que mais parece um baile de citações é assustador. Nem todo conhecimento rigoroso é científico. Filosofia pode ser rigorosa sem ser ciência. Ciência social, quando se diz ciência, deveria deixar claro seu método empírico. O que irrita é quando um texto: não mede nada; não testa nada; não apresenta método verificável; não oferece hipótese refutável; e ainda assim recebe a aura de “ciência” apenas por estar na universidade ou por usar jargão técnico. Aí acontece uma confusão dupla: Primeiro, a ciência é diluída, porque perde seus critérios. Segundo, a filosofia também é desrespeitada, porque em vez de se assumir como filosofia, com sua dignidade própria, ela tenta pegar emprestado o prestígio da ciência. Existe pesquisa científica social séria, quantitativa ou qualitativa, mas sinto que na América Latina temos uma cultura paternalista, que fica referenciando autoridades que são mais críticos políticos e filósofos do que cientistas; envolve ciência com militância (que é importante, mas não é ciência), definem os resultados antes de sequer testar as hipóteses, muito cherry picking e às vezes somente "ruminação" teórica mesmo. Entendo o papel que as Universidades tiveram na história política do Brasil e dos nossos hermanos, e está tudo bem isso. Mas uma universidade intelectualmente saudável deveria dizer com clareza aos seus pupilos: isto é ciência; isto é filosofia; isto é teoria interpretativa; isto é militância Todas podem coexistir. O erro começa quando passam a fingir que são a mesma coisa.

Posted Mar 8, 2026, 8:07 PM UTC

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