Na escada de incêndio - Vestígios Urbanos #7
Vestígios Urbanos #7
"A cidade dorme. Mas às vezes o desejo acorda nos lugares mais improváveis."
Aquela noite parecia que tudo tinha dado errado. Quando Carla chegou ao prédio, percebeu imediatamente que não havia energia elétrica.
O portão estava aberto, mas o hall estava mergulhado na penumbra. O elevador estava parado. Apenas as pequenas luzes verdes de emergência indicavam o caminho da escada de incêndio.
A escada de incêndio à noite sempre tinha algo de estranho. Silenciosa. Vazia.
Com aquele eco que fazia qualquer passo parecer mais alto do que realmente era. Carla parou por um instante olhando para a porta metálica que levava à escada.
Subir sozinha até o sexto andar naquele ambiente parecia um filme de terror. Foi quando ouviu passos atrás dela.
— Carla? Ela virou. Gilberto. Ela soltou um suspiro de alívio. — Oi, Gil. Ele sorriu. — Chegou agora também? — Cheguei… e já vi que a noite promete.
Ele olhou para o elevador apagado e riu. — Escada de incêndio. Carla suspirou. — Confesso que fiquei meio com medo de subir sozinha. Gil abriu a porta da escada. — Então vem comigo. Ela sorriu. — Que bom que é você. Eles entraram.
A escada era iluminada apenas pelas luzes de emergência, criando sombras suaves nas paredes de concreto. Gil estendeu a mão. — Pode segurar. Vai dar tudo certo. Carla pegou na mão dele. O toque era quente. Firme.
Mas havia algo a mais naquele gesto. Algo que não parecia apenas amizade. Eles começaram a subir. Primeiro andar. Segundo.
O silêncio da escada tornava tudo mais intenso. Apenas o som dos passos e da respiração deles. Quando chegaram ao terceiro andar, Gil parou.
Carla virou-se para ele. — O que foi? Ele ainda segurava a mão dela. Mas agora acariciava os dedos dela lentamente. — Carla… Ela sentiu o coração acelerar. — Eu preciso te falar uma coisa. Ela não soltou a mão dele. — Fala. Gil respirou fundo.
— Eu sempre fui muito afim de você. O silêncio pareceu aumentar ao redor. — A gente conversa tanto… estuda na mesma faculdade, temos amigos em comum e quase sempre chegamos juntos… e eu sempre tive a sensação de que você também…
Ele sorriu, um pouco nervoso. — Posso estar enganado. Carla olhou nos olhos dele. — Não está. Ele se aproximou um pouco mais.
— Eu posso te beijar? Ela respondeu sem hesitar. — Demorou. As mochilas caíram no chão. O notebook escorregou para um lado. Livros espalhados no piso de concreto. Mas nenhum dos dois se importou.
O beijo veio intenso. Como se tivesse sido adiado por tempo demais. As mãos de Gil seguraram a cintura dela com firmeza. Carla puxou a camisa dele, ajudando a abrir os botões. O tecido caiu no chão.
Na penumbra da escada, iluminados apenas pela luz fraca de emergência, o corpo dele parecia ainda mais bonito. Ela passou as mãos pelo peito dele. Gil beijou o pescoço dela. Carla fechou os olhos, apoiando as costas na parede fria da escada.
A blusa dela foi tirada. Ela ajudou a soltar o sutiã. Os beijos e as carícias ficaram mais urgentes. Ele passou a língua em seus seios, deixando-a ainda mais excitada.
Carla ajudou Gil a abrir o zíper da calça e o encontrou duro, latejando. O risco de alguém aparecer tornava tudo ainda mais intenso. Gil beijava o corpo dela enquanto Carla respirava fundo, segurando nos ombros dele.
Ela virou de costas para Gil, apoiou as mãos na parede e encostou a testa no concreto. Arqueou a cintura em um claro sinal de entrega. A respiração acelerada.
— Gil… A voz dela saiu em um sussurro. Ele se aproximou, segurou sua cintura e a puxou de encontro a ele. Quando ele finalmente estava dentro dela, já não conseguia conter os gemidos. — Há muito tempo eu queria te fazer minha mulher. O silêncio da escada guardava cada som. Cada suspiro. Cada movimento.
Gil a segurou pelos cabelos, fazendo com que ela deixasse ele ir mais fundo. Durante semanas eles tinham apenas flertado. Agora o desejo finalmente tinha encontrado um lugar para acontecer. Ali.
Na escada de incêndio. No escuro. — Gil, me come gostoso, não para que eu vou gozar. Ele enlouqueceu ao ouvir Carla pedindo mais. — Então vem, gostosa… goza junto comigo.
Quando tudo terminou, os dois ficaram alguns segundos em silêncio, respirando fundo. Então as luzes do prédio voltaram.
A escada se iluminou completamente. Os dois se olharam. Ainda meio sem fôlego. E começaram a rir. Rapidamente pegaram as roupas espalhadas pelo chão.
Vestiram-se às pressas. Recolheram mochilas, livros e o notebook. Quando começaram a subir novamente as escadas, Carla olhou para ele e disse: — Tomara que falte luz mais vezes.
Gil sorriu. — Principalmente quando a gente chegar junto. E os dois continuaram subindo. Como se aquela noite tivesse deixado ali… mais um vestígio da cidade.
"Cada canto da cidade guarda um desejo que ninguém viu acontecer. Esta é apenas mais um capítulo de Vestígios Urbanos. Se quiser descobrir os outros… passe em r/vestigios"
Nada é fugaz. Tudo deixa marcas. _ Vestígios
Posted Mar 14, 2026, 12:33 AM UTC