CULTURA DA FAVELA E A ROMANTIZAÇÃO DA POBREZA
Com o crescimento do Partido Missão (derivado do MBL) se começou, novamente, a questão se a favela como modo subumano de vida de pessoas miseráveis deveria ser considerado “cultura”, ou seria uma falha politica dentro de políticos que nada tem de vontade politica para mudar ou estão envolvidos em corrupção. A questão pode ser levantada assim: as pessoas que moram ali querem uma casa melhor ou uma vida melhor? Claro que sim. Primeiro, temos que tem muito claro que há classes sociais e isso já era falado por liberais muito antes dos socialistas, onde o Brasil se criou e teve seu pífio desenvolvimento das classes mais baixas, isso é obvio. Trabalho dos indígenas, trabalhos dos negros escravizados, trabalho dos estrangeiros enganados (iam trabalhar para ficarem ricos, e não era verdade).
Ora, temos que deixar alguns pontos muito bem definidos, porque acho que não ficou claro a catástrofe brasilis esse tipo de coisa. Para começar temos que começar com a origem histórica, onde as favelas não surgiram por escolhas culturais e sim, como consequências direta da escravidão, da marginalização dos negros libertos sem acesso a uma terra (assim como os morros cariocas são consequência do não pagamento dos soldados da guerra do Paraguai). Também a questão da urbanização acelerada sem nenhuma politicas habitacionais adequadas. E como dissemos, há de se ter – mesmo o pessoal de direita – consciência de classe e que, sem duvida, não há conflito e sim, desigualdade em o empregador achar funcionários adequados sem burocracias desnecessárias, ganhou pouco, muda de emprego. Mas no Brasil com a “não vontade política”, as classes ficam muito desiguais e isso é reflexo do não desenvolvimento daquela nação.
As favelas têm porventura manifestações subculturais por tratar de um ambiente social, como o funk – que muitos acham estar contando historinhas, mas contando essas historinhas em primeira pessoa, você deixa a suposta critica como um incentivo para fazerem igual e não diferente. Isso também acontece com o rock como o Matanza – como outras manifestações, e cultura é algo muito mais amplo do que isso. O que acontece que isso não significa que o modo de vida precário seja desejado. Todo mundo quer viver nos melhores lugares ou ter um bom emprego – isso só acontece com estudos culturais e técnicos – pois, isso só é mera adaptação criativa a falta de oportunidade (demanda de emprego?), não de uma escolha voluntaria de viver sem nenhum saneamento ou segurança. Mesmo porque, em pesquisas e em relatos dos próprios moradores dessas favelas querem melhores condições de vida – como uma casa digna, acesso a saúde, educação e emprego. Vamos dizer que essa subcultura aparece como uma suposta resistência.
Resistência em que? Se a esquerda indenitária e a clássica estivessem certas, a questão de morar em favelas não eram tão rejeitada, porque seriam colônias culturais de prazer e felicidade. Outra – momento Foucault – muito desses discursos de cultura periférica são discursos de controle de narrativa para o mais pobre não se rebelar contra o sistema de glorificação da pobreza (curral eleitoral?). O chamado do fetichismo discursivo de um modelo (Marx), e um discurso de pacificação da vontade de não aceitação de certas políticas, mostrando que o poder pode não usar a força para dominar (Foucault). A esquerda acabou se mostrando muito mais com um discurso fetichista do que a direita liberal democrata – dentro sempre de um capitalismo selvagem como o nosso, corrupto, cheio de falhas, cafona e ainda rastaquera antiquado até os fios do túnel cheiroso – mostrando uma narrativa que não condiz com suas propostas.
Cultura é aquilo que o ser humano significa o mundo, ou seja, há uma visão subjetiva dentro de certas comunidades socializantes que ressignificam a realidade. Como vimos acima, o problema é normalizar o discurso da pobreza – isso tem a ver com as raízes da nossa cultura no medievalismo português da pobreza como redenção ou como “humildade” – como algo que deve ser propagado como certo e baluarte da nossa cultura e não deveria ser. Será que pessoas não gostam de coisas bonitas e cheirosas? Não gostam de coisas belas, uma cultura mais harmoniosa, uma cultura que não fosse industrial e nem periférica, mas orgânica? Resta a dúvida.
Posted Apr 1, 2026, 8:22 PM UTC