Resposta ao camarada HorácioNgurmeno sobre a depressão em militar na esquerda radical

Opinião

Nem esquenta.

São anos do capitalismo trabalhando corações e mentes para implantar a ideia que ele é invencível. A propaganda é tão boa que a esquerda pau mole institucional contribui e se utiliza dela

Nos rincões e periferias o poder é disputado por oligarquias. Não tem nada de ideológico. Um clã se alinha em um lado, outro clã se alinha com outro lado. Estas oligarquias são a representação da burguesia em aspecto local. Grande parte deles só são considerados ricos nas suas fronteiras, mas tem alianças com o grande capital. A corrupção, o uso do estado como propriedade privada das oligarquias, o clientelismo, etc, são a política do dia a dia;

A esquerda deveria em nível local, disputar politicamente esta população. Criar ou radicalizar os movimentos sociais. Lutar para romper este contrato social, que condena à população a miséria e ao subdesenvolvimento.

Várias vezes aqui no sub você pode acompanhar a fanbase Ptista classificando as críticas da esquerda radical como desonestas, carbonárias, antipetistas, quinta coluna, etc. Um dos erros maios comuns é atribuir a esquerda radical o desejo de substituir o PT na administração da cleptocracia de coalizão. Partindo deste pressuposto, já afirma que no final teremos de fazer os mesmos acordos com o Centrão.

Porque na cabeça da direção do PT e da maioria da militância do PT existe um Centrão imaginário. E este Centrão é impossível de vencer, porque quando você vai lutar com ele, já derrotado na sua mente. O Centrão não é encarado como um inimigo existencial poderoso, mas como uma entidade invencível. Nem Arthur Lira ou Eduardo Cunha tem tanta fé na força do Centrão como a direção e a militância petista.

O jogo da política institucional. do presidencialismo de coalizão, não foi proposto pela classe trabalhadora. Foi proposto pela burguesia e implementado através da democracia burguesa. E grupos desta burguesia disputam o jogo e estão sempre mudando as regras. Quando o PT vai um dia ganhar este jogo? Nunca. Um dia mudam as regras para sequestrar o orçamento. No outro dia mudam as regras para tirar do presidente a prerrogativa de indicar ministros do supremo. Por isso o Centrão é invencível. Porque a classe trabalhadora foi convencida pela propaganda da burguesia a lutar no campo deles. A lutar com as regras dele e a aceitar que eles sempre mudem a regra.

Por que o PT é danoso à classe trabalhadora? Por fazer a classe trabalhadora acreditar que um dia pode vencer o jogo, conciliando com o inimigo. Que um dia pode vencer em qualquer regra proposta pela burguesia, se contar tão e somente com o voto popular. Que a maior derrota é perder eleição e que é uma vitória o Lula ganhar. Sendo assim, é necessário conciliar com o Centrão para ganhar a eleição e ter vantagem no jogo e, quem sabe, passar a ditar as regras. É preciso saber ceder estrategicamente o estado e o orçamento, fortalecendo e consolidando o adversário, para poder derrotá-lo. A esquerda radical não serve para jogar, porque manja dos paranauês.

E isso é cômodo e rentável. Os grandes quadros do partido todos estão bem acomodados na burocracia estatal. Todo dia tem vídeo destes grandes heróis da esquerda brasileira disputando durissimamente nas CPI’s, youtube, Instagram, Tiktok, as batalhas pela manutenção da democracia e das conquistas sociais.

Mas o real campo de jogo não é lá. A direita sabe disso. O jogo é jogado nos rincões, favelas e periferias. E aqui se observa um fenômeno de comunicação de massa. A derrota mental que o PT e a militância adquire no palco da democracia burguesa, se transforma em derrota real para a esquerda no jogo verdadeiro. E o PT é um dos aliados do Centrão nesta vitória. E a derrota não é no dia da eleição, mas a eleição é o instrumento que dá ao inimigo todas as vantagens.

Como um movimento social (movimentos de trabalhadores sem terra, sindicato de trabalhadores, grupos de defesa dos direitos humanos, associação demoradores, etc) pode lutar contra a oligarquia local, se esta oligarquia é aliada do governo "de esquerda"? Qual a legitimidade que uma liderança do PT pode ter, se ele eventualmente tem de se coligar com a pessoa que ele denuncia? A disputa política da população se encerra ali. A formação de lideranças se encerra ali. A confiança da população na esquerda para mudar a sua miséria acaba ali. Esta população vai continuar solicitando favor em troca de voto com a oligarquia local, como sempre foi. Não tem a quem apelar. É consolidado na cabeça do trabalhador que nunca um deles vai conseguir ser liderança. Sempre será o doutor ou o filho do doutor. Vai continuar vendo o pastor pentecostal que à explora, como liderança legítima. O vereador, o prefeito, o deputado estadual e federal, o senador do Centrão vai ser conduzido ao cargo e o ciclo é reiniciado.

A amarga ironia é escutar os militantes petistas colocar a culpa da falta de ações progressistas do governo, na população que é reacionária e elege deputados de direita. A real disputa não é para ganhar o congresso. Não é para ganhar o executivo federal. Ali é somente o teatro do vencedor para evitar a revolta do vencido. Quando chega ali a classe trabalhadora já está derrotada e outro ciclo de derrota começa a ser preparada.

A eventual vitória da classe trabalhadora começa na sua mente. Em compreender que este inimigo é muito poderoso, mas não é invencível. Ter a clareza de que a disputa é dentro do sindicato, dentro da associação, no município de interior, dentro da favela. É tirar destes movimentos a ilusão de que eleger político, mudará alguma coisa. Ter a clareza que o PT não é um inimigo, mas também não é um aliado. E o interesse do partido não é o mesmo da classe trabalhadora. Outro passo é não tratar a burguesia como aliada, mesmo que seja de ocasião.

É por isso caro camarada, que as vezes a luta desanima e dá uma depressão. Mas a luta é por justiça e o prêmio é a nossa humanidade. Não se deixe ser vencido na sua cabeça, por uma propaganda feita por quem tem interesse na sua desistência.

Posted May 12, 2026, 3:04 PM UTC

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