Outras voltaram vestidas de peixe

Poema

cego, instante surdo

uma palavra que tropeça

na outra

e noutra

sem saber

onde por cima

onde por onde o fundo

aonde por onde embaixo

pro lado que lado o lado

tua presença

atravessa

meus olhos empoeirados

colocando um abajur

no quarto escuro

o pó mudou de assunto

uma vassoura rasga a mesa

meu ouvido

cheirando tua voz

sorriu

minha língua

bebeu teu suor

gozou

depois de decorar

o deserto

apanhei um punhado

de palavras tortas

e lancei ao oceano

algumas afundaram

outras voltaram vestidas de peixe

carregava

um balde de água

na direção do sol

quando

você partiu

como uma laranja

deixando metade

e a outra

–Tetris

Posted Jun 2, 2026, 1:13 PM UTC

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