Germinação

Poema Autoral

Esta terra não guarda ruínas.

Guarda sementes.

Debaixo da pedra,

há uma respiração antiga

que não terminou.

O romano,

o árabe,

o judeu,

o africano,

o atlântico,

o europeu

não ficaram quietos no passado.

Continuam,

como raízes que não descansam.

Pensa numa oliveira.

Vive séculos.

O tronco sabe o peso do tempo.

Mas todos os anos

volta a inventar folhas.

Assim esta terra

antiga no corpo,

inquieta na seiva,

é terra da possibilidade,

onde o que chega

aprende a conviver

e, ao tocar-se,

muda de nome.

Nada está concluído.

Nem a língua.

Nem o mar.

E nós,

não pisamos o fim das histórias,

apenas o seu recomeço.

Posted Jun 3, 2026, 1:37 AM UTC

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