Médico militar é o novo status quo de ressignificância do recém formado (repost)
Este post originalmente não é meu. É de um colega que o apagou precocemente. Resolvi ressuscitá-lo pois achei a discussão uma forma dos mais velhos dar opiniões ao mais novos, em graduação, que tem dúvidas sobre vida civil x serviço militar MFDV x Medicina das forças armadas. Esta foi minha parte.
- Sou de uma geração que médico recém formado trabalhava em emergência e tinha brilho nos olhos para fazer residência de uma especialidade médica e abraçá-la para sempre. Serviço militar não só era para os alunos longe do melhor desempenho dentro da turma (alguém conhece aluno entre as 10 maiores médias de uma turma de graduação que queria carreira militar por opção primordial?), mas para aqueles que já tinham militares na família ou uma origem mais humilde, onde a estabilidade ou o glamour de patente era apreciado.
- Existe a rusga entre o serviço militar e o ensino universitário, histórico devido a ditadura ou regime militar brasileiro (o que preferirem para tentar ser imparcial no texto). Inexistiu na minha graduação qualquer aula ou professor que falasse de qualquer benefício ou positividade da carreira militar. Pelo contrário, o que mais se tinha eram formas de se livrar do serviço militar obrigatório para médicos, inclusive com advogados especializados e grupos de Internet no Orkut.
- As formas de se entrar no serviço militar são importantes na discussão. Você entra pelo obrigatório com ou sem residência? Concursado de carreira? Se estamos falando do obrigatório como clínico você fica mais sujeito a situações difíceis ou deslocamento para longe de sua casa. Especialistas concursados tem maior facilidade em ser alocado perto de casa em hospitais. Era comum as ameaças para médicos recém formados de serem alocados para o Pantanal se de São Paulo e para Amazônia se do RJ. Alguns colegas que começavam bem no serviço militar obrigatório depois ficavam de forma súbita em situações ruins que os levavam a pedirem baixa. Todavia como o custo de vida é baixo nestes locais, juntavam uma boa renda no retorno às origens.
- Não são todos mas alguns militares de média patente tem relação conturbada com médicos. Eles levam uma vida para serem tenentes ou capitães e tem isso como sonho, lidando mal com médicos recrutas que alcançam tal feito por obrigação após 45/60 dias e loucos para de livrarem.
- É importante lembrar que o médico das forças armadas está mais sujeito às leis das forças que do CFM e isto pode gerar problemas. Cito dois casos: a de uma colega que abandonou como concursada pq um oficial de alta patente a estava coagindo a para dar alta a um soldado ainda em recuperação para ceder o leito a uma das parentes do oficial. Outro caso de um oficial de alta patente que tirou a filha de uma unidade privada por não aceitar diagnóstico psiquiátrico e a levou para uma ala dos familiares dos oficiais de uma unidade hospitalar militar para "direcionar " o diagnóstico através de suas ordens aos médicos oficiais. Ressalta uma situação comum: pode haver o momento em que como médico você deve decidir se é "médico militar " ou "militar médico" , podendo ser levado a escolhas que contrariem seu juramento médico.
- Quanto mais se fica no serviço militar, mais você pode se distanciar do mercado de trabalho externo ao servico, pq está jurando a bandeira e cantando o hino, algo que tem valor, sem dúvida, mas que não vai fazer você se destacar no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, fora do meio. Se for pelo serviço obrigatório, quanto mais se aproxima do fim do período máximo de 7 anos, alguns de nós vai mostrando aumento da tensão, com proximidade da perda do vínculo associado a estar distanciado do mercado de trabalho externo ao serviço, com dificuldades para especialização ou retomada. Associadamente, pode haver possível pressão das famílias mais humildes pelas garantias militares, mesmo quando se está insatisfeito, em um momento com prole ainda de tenra idade.
- Embora tenha realçado aspectos negativos sobre ser médico militar, ressalto que é uma boa opção e muitos tem uma experiência positiva, tendo havido uma recuperação do interesse na carreira pelo mercado competitivo atual e precarização dos serviços públicos e privados de saúde. Teria muito mais a falar mas entraria mais nas minhas convicções pessoais e prolongaria o texto, fugindo de uma opinião baseada em observações e vivências de amigos.
Posted Jun 3, 2026, 11:35 PM UTC
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