Minhas colegas fazem cmg o que nao querem que eu faça com elas

Desabafo

Eu sou uma pessoa introvertida que pega intimidade com as pessoas aos poucos. Sempre foi um problema fazer amizades nesse sentido por causa desse traço de personalidade e, com o tempo, achei o melhor jeito de fazer amizades: comer pelas beiradas.

Mesmo assim, especialmente considerando que mudei de rota de vida (curso de faculdade) me esforço desde o dia um para ser o mais simpática possível porque sei que esses traços de personalidade podem ser mal vistos. Algumas vezes eu perco uma abertura para uma interação, mas tento compensar em outros dias para mostrar que eu não sou tão ruim assim. Isso vem funcionando bem (até então) durante essa nova fase da minha vida e estava feliz que, embora não tivesse grandes amizades, estava com um grupo de pessoas que são queridas e levam a sério a vida acadêmica, porque passei por grupos nos primeiros períodos que achavam que colar era um máximo e confiar 100% no chatgpt é uma ótima opção na faculdade (além de que eu não tinha *nada* em comum com essas pessoas).

O negócio é que comecei a andar com um grupo de pessoas em que claramente tem uma dupla (a 1 e a 2) dentro de um quinteto. A 3 é uma pessoa que vive no mundo da lua e já cometeu algumas inconveniências, então foi meio que rechaçada a ser incluída; e eu meio que entendo porque o problema também me envolvia e me causou raiva. Mas meio que ficou tudo bem considerando que o tempo passa e que a 3 é uma pessoa muito fofa, apesar das burrices, e que eu gosto muito de conversar. Sinto que posso ser eu mesma com ela, mesmo falando besteiras e reclamando muito.

O problema é que, com o passar do tempo, percebi que esse negócio de excluir a garota meio que passou para mim. No início, era normal porque, ora, cá entre nós adultos, é normal que as pessoas tenham mais afinidade com outras e formem sua dupla. Só que escalou para um nível que eu e a 3 ficamos de chaveirinho, seguindo elas para os lugares enquanto conversam super e nós duas ficamos de escanteio.

Chegou a um ponto que, durante intervalos de aulas, as duas levantavam sozinhas e iam embora sem nem falar com a gente. Ou não guardavam lugar para nós na sala. Ou não avisavam quando chegavam. Ou zoavam discretamente nossos gostos.

E tudo isso piorou depois que elas se tornaram mais próximas de um outro grupo de meninas que são uns amores… mas… dificultou ainda mais a parte de se encaixar no mundo delas. É estranho porque elas são legais conosco a um grau e nos tratam como se fosse realmente um grupo até essas meninas aparecerem.

Tudo é com elas e não teria problema nenhum se isso não estivesse ativamente excluindo tanto eu quanto a 3. Elas saem andando com as meninas e nos deixam para trás; e elas não nos incluem nas saídas que organizam com elas (e eu tentei uma vez participar, perguntando sobre e nenhuma das duas deu trela). Uma vez a gente conseguiu ir, mas acabamos passando mal enquanto ficávamos num canto do lugar e ainda recebendo olhares tortos da 1, que parece ser a mais superior de todas. Ela costuma ditar toda a índole da pessoa por um erro sem ter coragem de conversar com a pessoa sobre, tentar dar um toque (considerando que estamos falando de pessoas que ela chama de amiga) ou só não tratar como um lixo. Isso aconteceu com a 3 e senti aos poucos fazer comigo também, por motivos que nem tinha certeza sobre.

Honestamente? Eu não sou otária e comecei a revidar aos poucos. Um dia levantei, sai embora na frente como elas fazem e recebi mensagens delas reclamando. Outro dia, as outras meninas mais as duas estavam conversando numa roda e ativamente me ignorando (eu dentro da roda); não me humilhei para participar e depois vieram com “você nem vira pra falar com a gente” e “se a 3 estivesse aqui, ela ia estar falante” com o que eu respondi um “vocês não estavam me incluindo”. Num dia bem anterior também, a 2 me disse “você chegou e nem avisou?” e eu disse “vocês não me avisam) enquanto lembrava das vezes que ficava perguntando se alguém tinha chego e nenhuma delas respondia mesmo estando na faculdade antes de mim. Parei também de procurar elas na sala e observava como elas também não me procuravam e preferiam tricotar com as outras meninas.

Comecei a fazer amizade com uma menina crente da nossa turma enquanto fazia uma tarefa que requeria contato humano e tanto eu quanto ela estávamos nervosas. Fomos assim, conversando e criando uma irmandade. Eu mandava mensagem pedindo para ela me ajudar em certas coisas e aliviar em outras, ao mesmo tempo que ela também me procurava pra isso. Até tentei tornar a 1 um ponto de apoio nisso, mas ela era seca, grossa e agia como se o que eu estivesse nervosa fosse tempestade em copo d’água e como se fosse simples fazer. E era fácil, mas é legal contar com as pessoas que estão no mesmo barco que você.

Daí vem que as coisas começaram a ficar esquisitas logo depois que passei a silenciosamente revidar. Percebi, então, uma grande grosseria da 1 e perguntei qual era o problema:

  1. Eu me autoexcluo. Ela entende que eu tenho problemas em me enturmar e tento fazer isso aos poucos, mas acha que as pessoas vão desistir de mim se eu não mudar. E eu já tentei e tentei por boa parte da minha vida. É difícil mudar coisas que fazem parte de você desse jeito e que te obrigou a só viver contornando da melhor forma possível. Não acho que eu esteja errada e não acho que devo me humilhar porque as pessoas “podem desistir de tentar ter minha amizade”. Isso aí significa que você nunca nem quis me ter por perto. (Ela tava falando das outras meninas, mas sinceramente não entendi porque… não é como se eu tratasse elas mal, pelo contrário. Eu só não acho legal ficar metendo a cara em conversas em que não to incluída, tanto que, quando acontece de eu estar dentro do papo, interajo normalmente);

  2. ⁠Eu deduzo demais o que as pessoas estão pensando porque achei que ela não quisesse nem fizesse questão da minha amizade. E eu também não acho que isso faz sentido porque o que devo fazer com todos esses sinais? Para vocês terem noção, esses problemas vão até na forma que converso com ela(s). Se tem algo que eu falo, a 1 ou finge não entendeu ou espera OUTRA PESSOA (provavelmente uma das outras meninas) pra entender. Então o que eu falo não tem valor, minha companhia é descartável em comparação com as outras e não posso concluir que talvez não tenhamos uma grande amizade?;

  3. ⁠Eu sou grossa. Eu acho que isso veio mais dos meus momentos de revidar do que qualquer coisa, mas confesso que, nos últimos dias, a pressão tá tão grande que fiquei irritada por tudo. Um dia a 2 ficou repetindo três vezes coisas que eu já sabia e respondi sem querer de forma ríspida que já sabia e já tinha resolvido. Fiquei constrangida depois, mas dissolveu porque elas já tinham feito a mesma coisa comigo (inclusive a 2 porque ela é super grossa e daquele tipo de pessoa que diz que tem personalidade forte e fala mesmo!). Esses dias eu fui mal educada com a crente e pedi desculpas depois porque estava irritada. Então, são coisas que posso reconhecer que em alguns momentos acontece e tenho que tomar mais cuidado. Só que recentemente tivemos que consertar um problema e saímos no meio da aula para resolver. Como a crente é… crente, ela não queria sair, perder a aula E parecer que ela tava cabulando por opção. Por isso, a coitada ficou se arrastando pra seguir a gente (eu e a 1) até o laboratório e, encarecidamente, eu disse mil vezes que ela podia voltar se estava preocupada em perder a aula. Nós iríamos passar as informações para ela de qualquer jeito e não queria fazer ela se sentir mal de sair no meio da matéria, ainda mais porque ela é a única que engaja e pergunta a aula inteira. Acontece que a 1 veio jogar na minha cara que estava com pena porque, nesse dia, eu não queria que a crente viesse com a gente resolver o negócio.

E aí caiu a ficha: o meu erro me define completamente na visão dela. Quando eu errei uma vez, o que eu sou vai ser *para sempre* esse erro. Eu sempre vou ser a grosseira e a que elas não sabem como abordar e conversar, sendo que sempre fui aberta, disse que conversava sobre o que fosse possível, escutei todos os desabafos e dei conselhos. Resumidamente, sempre fui uma menina muito sussa.

Acontece que, se acontecer de novo um momento irritadiço meu, eu vou me foder na mão delas porque é assim que sou na visão delas, especificamente na da 1. Sem contar que eu passo por momentos difíceis na família (pais separando + pai alcoolatra e agressivo + mãe com transtorno de borderline) e ela achou que tudo isso era vindo desses problemas porque sempre to usando a desculpa de que as coisas estão difíceis em casa. E estão. Eu não tenho o que comer direito morando sozinha com meu pai e tenho que ir na casa da minha tia, onde minha mãe hoje mora, para ter um grão de arroz. Agora, eu não posso mencionar isso porque ela também deu a entender que eu uso demais.

Em geral, eu concordei com os pontos dela enquanto ela concordou com os meus (só um, na verdade) e decidi me esforçar mais no dia seguinte para interagir melhor. Provavelmente por fofoca, a 2 já tava sabendo disso e tentou super me incluir, me chamando para o lugar em que elas iam e eu super concordei! Mas nenhuma delas me passou informações sobre a saída e nem a 1 nem a 2 me incluíram. Eu até tentei perguntar num momento, mas passei por aquele constrangimento de falar e ninguém prestar atenção, que aconteceu de novo e de novo e de novo quando a gente (3 ia ver um filme comigo e a 1 e a 2 decidiram passear no shopping com a gente antes) foi andar numa loja de roupas e as duas ficavam perambulando, conversando e deixando eu e a 3 de chaveirinho de novo. Quando a gente foi se separar no shopping também, a 1 e a 2 nem viraram e perceberam que demos tchau.

E aí aconteceu de eu me sentir mal em anos e cair naquele limbo de nada vai ser suficiente. Piorou quando a 2 tentou puxar assunto de uma série comigo e com uma das meninas e, ao invés de perceber que eu também tava na conversa, ela só parou na minha frente e bloqueou minha participação. E a 2 só seguiu a conversa sem mim..

É uma sensação que, apesar de saber muito bem o que fazer, é terrível. Me teletransporta para quando eu não sabia lidar com as minhas diferenças e achava que todo mundo me odiava por isso. É uma coisa humilhante que achei que não ia passar de novo e ver meu esforçou não durar mais duas horas foi dificil.

Não sei se deu pra entender muito bem, mas queria compartilhar que é uma situação injusta. Vai ser difícil achar outro grupo de amigos porque todo mundo é chato ou já ta bem fechadinho, e é o único grupo que faz trabalho direito que consegui entrar, que é o que importa mais. Mas é desagradável e humilhante.

Eu sei muito bem que o certo é deixar pra lá e focar na minha vida acadêmica, mas, pra isso, pensei em ficar mais quieta e só interagir quando tiver chances também. Mas e se isso estiver realmente me prejudicando em termos de networking? E se isso me levar a ser uma pessoa, para elas, que não aceita críticas? O que eu acho injusto porque elas podem fazer o que quiserem comigo, mas eu não?

O que eu deveria fazer em termos de comportamento considerando que não tem muito o que fazer sobre mudar de grupo? Não sei como agir já que obviamente tentar me humilhar vai ajudar (e eu não quero fazer isso).

Posted Jun 4, 2026, 12:49 AM UTC

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