Eu tenho preconceito com motoristas de ônibus, preciso confessar isso.

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Sim, é exatamente isso que está no título. E esse sentimento não surgiu hoje. Já faz bastante tempo que tenho muito preconceito contra motoristas de ônibus de linha, por causa de diversas situações que vivi e de outras que presenciei acontecendo com outras pessoas.

Vou citar alguns exemplos.

Uma vez eu estava indo para um curso que fazia no centro do Rio de Janeiro. O motorista dirigia de forma displicente, todo marrento, enquanto conversava com uma pessoa que estava antes da roleta. Em determinado momento, entrou um senhor que tinha direito à gratuidade. Naquela época ainda não existiam os cartões que usamos hoje, os passageiros mostravam a identidade para uma câmera e se sentavam nos bancos da parte da frente do ônibus.

O motorista resolveu que ele mesmo iria mostrar a identidade do senhor para a câmera. Até aí já seria estranho, mas o pior foi que ele fez isso com o ônibus EM MOVIMENTO. Isso mesmo: por alguma razão, o animal que dirigia aquele ônibus levantou do banco enquanto dirigia para mostrar o documento para a câmera.

O resultado foi o óbvio. O ônibus bateu no carro da frente e, logo em seguida, foi atingido por outro veículo que vinha atrás. Nós, passageiros, fomos arremessados para a frente. Eu tive sorte, porque estava sentado no primeiro banco, que tem um vidro à frente. Apenas bati a cabeça no vidro e fiquei com um galo. Outras pessoas não tiveram a mesma sorte: algumas bateram a boca nas barras de ferro e chegaram a cuspir sangue. Todos fomos levados ao hospital e posteriormente recebemos uma indenização da empresa.

Mas esse não foi um caso isolado. Em várias outras ocasiões, fiz sinal para ônibus praticamente vazios e os motoristas simplesmente passaram direto. Houve também uma vez em que um deles fechou a porta enquanto eu embarcava e me prendeu nela. E existem tantos outros episódios que eu poderia passar páginas e mais páginas relatando histórias parecidas.

Eu imagino que parte desse comportamento aconteça porque eles não têm um superior ali ao lado fiscalizando ou cobrando uma postura mais respeitosa com os passageiros. De certa forma, naquele momento, eles são a autoridade máxima dentro do ônibus e acabam fazendo o que querem. Isso, somado ao estresse constante de lidar com o público, talvez explique algumas dessas atitudes.

De qualquer forma, o fato é que eu realmente desenvolvi esse preconceito contra esses profissionais. Tenho a impressão de que muitos deles não demonstram a menor empatia pela classe trabalhadora e acabam tornando a vida de quem depende do transporte público um pouco mais difícil do que ela já é.

Posted Jun 13, 2026, 11:35 PM UTC

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