Homen viciado no tigrinho vende filha e a história vira livro:
Fui até à cozinha — e levei um susto ao ver o meu pai ajoelhado no chão, todo magoado.
Corri até ele e ajudei-o a levantar-se. O seu rosto, o seu corpo, até as suas mãos estavam cobertos de hematomas. Queria saber o que tinha acontecido, mas tentei manter-me calma.
Ajudei-o a sentar-se no sofá e corri até à casa de banho para ir buscar a caixa de primeiros socorros.
— Meu Deus, o que aconteceu? — perguntei, tentando manter a voz calma.
Ele, ainda de cabeça baixa, a chorar, levantou o rosto, olhou-me nos olhos e segurou as minhas mãos.
— Perdoa-me... perdoa-me!
Eu não entendia o que ele queria dizer.
— Porque é que eu deveria perdoar-te? Entraste em alguma briga, foi isso?
— Perdoa-me... perdoa-me, eu não tive escolha! Eles iam matar-me, perdoa-me! — dizia ele, ajoelhando-se no chão, implorando perdão.
Naquele momento, um arrepio percorreu-me a espinha. Assustada, perguntei:
— O que fizeste? Responde-me! Fala! — gritei, já aflita.
Ele levantou a cabeça.
— Eu... vendi-te.
Aquelas palavras tiraram-me o fôlego. Era como se todo o ar tivesse desaparecido.
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Ele levantou-se e, com as palavras mais duras, disse:
— Eu parti um carro de luxo. Eles iam matar-me! Olha para mim! Quase me mataram!
Levei a mão à cabeça, tentando assimilar o que ouvia.
— Vendeste a tua filha? Por uma dívida tua? É isso que estás a dizer?! — gritei, com todo o ódio que havia em mim. — Eu cuidei de ti quando a mãe morreu! Cuidei de ti quando ficaste doente! Deixei a faculdade de enfermagem para cuidar de ti, um bêbado — e é assim que me pagas? Eu morreria por ti! Deixei os meus sonhos... Não consigo acreditar!
Ele segurou-me a mão.
— Filha, tens de me ouvir. Ele é perigoso. Por favor, não o desafies, ou ele vai matar-te! Sê uma boa rapariga. Ele não tem piedade.
Empurrei-o para o chão e corri para o quarto, trancando a porta.
A minha respiração era ofegante. Encostei-me à porta, ouvindo os gritos do meu pai do lado de fora.
Olhei para o guarda-roupa, corri até ele, tirei uma mala de dentro, coloquei-a sobre a cama e comecei a atirar as minhas coisas lá para dentro, de qualquer maneira.
Arrumei tudo o mais depressa possível.
Posted Jul 6, 2026, 1:26 PM UTC