No eco
Ecooooo! – respondeu entre risos.
Eco foi aquilo que permaneceu em mim.
As palavras que me ensinaste.
As expressões que sem querer intencionalmente roubei de ti.
O teu riso.
E a estranha forma como os teus olhos encontravam uma cor diferente sempre que o sol lhes tocava.
Ainda hoje tudo isso continua a bater dentro de mim.
De parede em parede.
Como um eco.
Porque um eco nunca é só um som que regressa.
É também a forma que a memória encontrou de nos dizer que algumas coisas ainda não acabaram.
Há pessoas que partem e levam tudo.
Outras que, mesmo já distantes, continuam presentes.
Ecoando nas paredes a que chamamos corpo.
Uma gargalhada.
Uma palavra.
Uma expressão.
Um gesto que repetimos sem dar conta.
Às vezes faz-se ouvir sem pedir licença.
Quando dou por mim a fazer coisas que não fazia antes.
Sorrir como me ensinaste.
Dar uso a um vocabulário que aprendi trouxe de ti.
Apertar o colar que tenho ao peito para sentir-te perto.
O tempo leva tudo, eventualmente.
Pessoas.
Lugares.
Futuros que, talvez, nunca chegarão a acontecer.
Mas há coisas que nem ele consegue carregar.
Permanecem.
Em teimosia.
Em silêncio.
E se um dia me perguntarem o que restou de ti...
Talvez responda que nada não sei.
Mas, se prestarem bem atenção...
Ainda te vão conseguir ouvir em mim.
No eco.
Posted Jul 13, 2026, 10:38 AM UTC