Capitulo 1 ( não temos um nome ainda)

Mangá:Roger:

Havia um grande herói.

Não... chamá-lo apenas de "grande" seria um insulto à sua lenda.

Ele era o maior herói que o mundo já conhecera.

Durante décadas, seu nome foi sinônimo de esperança. Exércitos de demônios caíram diante de sua espada, semideuses orgulhosos foram derrotados por sua força e inúmeras criaturas lendárias, temidas até pelos reis, encontraram seu fim em suas mãos.

Ao lado de uma poderosa meia-kitsune, ele fundou um clã destinado a proteger o mundo. Sob sua liderança, o clã cresceu rapidamente, tornando-se uma potência admirada e respeitada por todos. Guerreiros dos mais diversos reinos viajavam apenas para treinar sob sua bandeira, sonhando em alcançar uma fração do poder daquele homem.

Mas...

Até mesmo as maiores lendas chegam ao fim.

Em um único dia, o herói morreu.

Ninguém soube explicar como. Não houve testemunhas, nem registros de uma batalha, tampouco um corpo que revelasse a causa de sua morte. A verdade desapareceu junto com ele.

Apenas uma pessoa conhecia o motivo...

A meia-kitsune.

...

— Hmm...?

Uma voz baixa escapou de seus lábios enquanto sua consciência lentamente retornava.

— Onde... eu estou...?

Art abriu os olhos com dificuldade.

Tudo o que conseguia enxergar era um branco absoluto. Não havia céu, chão, paredes ou qualquer ponto de referência. Era como se ele estivesse flutuando em um vazio infinito, onde nem mesmo o tempo parecia existir.

Um arrepio percorreu seu corpo.

— E-eu... morri?

Ele olhou para as próprias mãos, fechando e abrindo os dedos como se tentasse confirmar que ainda existia.

— Então... este é o céu...?

Antes que pudesse organizar seus pensamentos, uma voz feminina ecoou por todo o vazio.

Era suave, mas carregava uma autoridade impossível de ignorar.

— Ainda não...

Os olhos de Art se arregalaram.

Ele virou rapidamente o rosto na direção da voz.

A poucos metros de distância estava uma mulher de beleza incomum.

Seus longos cabelos verdes balançavam suavemente, mesmo sem haver vento. Vestes da mesma cor cobriam completamente seu corpo, transmitindo uma elegância quase divina. Em sua bochecha esquerda havia um símbolo desconhecido, brilhando com uma luz fraca, mas misteriosa.

A simples presença daquela mulher fazia o espaço ao redor parecer mais vivo.

Art franziu a testa.

Como...?

Seus olhos se estreitaram.

Como eu não senti a presença dela...? Ela tava aqui esse tempo todo...?

A mulher apenas sorriu, como se já esperasse aquela reação.

— Q-quem... é você...?

Ela levou delicadamente uma das mãos ao peito e sorriu.

— Ah... acho que esqueci de me apresentar.

Ela fez uma pequena reverência antes de continuar.

— Meu nome é Ikiru, a Deusa da Vida.

Seus olhos encontraram os de Art.

— E você deve ser Art... o lendário herói. O homem que derrotou incontáveis demônios, enfrentou semideuses e realizou feitos que até hoje são considerados impossíveis.

Art permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder.

— Sim... sou eu mesmo.

Ele respirou fundo.

— Mas... por que estou aqui?

O sorriso de Ikiru desapareceu, dando lugar a uma expressão séria.

— Porque você morreu.

Aquelas palavras fizeram o coração de Art apertar.

Ele já imaginava essa possibilidade, mas ouvi-la da boca de uma deusa era completamente diferente.

Após alguns instantes de silêncio, Ikiru voltou a sorrir.

— No entanto... você não é uma pessoa comum.

Ela deu um passo à frente.

— Você é um caso especial.

Uma suave luz verde começou a envolver seu corpo.

— E é justamente por isso...

Ela ergueu a mão em direção ao herói.

— ...que eu vou trazê-lo de volta à vida.

Ikiru sorriu de forma misteriosa.

— Estou ansiosa para ver a sua reação quando descobrir o quanto o mundo mudou...

Ela soltou uma breve risada, divertida com o que estava prestes a acontecer.

Antes que Art pudesse dizer qualquer coisa, Ikiru aproximou-se e deu um leve peteleco em sua testa.

— Espera, o quê...?

No mesmo instante, o espaço ao redor de Art se despedaçou como vidro. Seu corpo foi lançado para trás, sendo engolido por um enorme portal que surgira atrás dele.

— EEEEEESPERAAAAAA!!

Art despencou do portal e rolou pela grama macia de uma vasta planície coberta por flores coloridas.

Uma brisa suave soprou contra seu rosto enquanto o céu azul era iluminado pelo sol do meio-dia.

Pra onde essa mulher me levou em?

Ainda um pouco desnorteado, ele se levantou e sacudiu a poeira das roupas.

Seus olhos percorreram a paisagem até encontrarem, ao longe, o topo de uma enorme montanha.

No cume dela erguia-se uma construção majestosa.

Aquilo... é a base do meu clã?

Art arregalou os olhos.

A antiga fortaleza havia mudado completamente. Agora era muito maior do que antes, com enormes muralhas brancas adornadas por detalhes em azul, transmitindo uma aura de imponência e elegância.

Parece que vou ter uma longa caminhada até lá... Mas não deve ser problema. Afinal, desde quando o maior herói deste mundo teria dificuldade com algo tão simples?

Com um leve sorriso, Art começou a caminhar pela floresta.

O silêncio do lugar foi interrompido por passos pesados.

Cinco orcs surgiram entre as árvores, empunhando machados e porretes, bloqueando seu caminho.

Art apenas suspirou.

— Sério...?

No instante seguinte, desapareceu do lugar.

Antes que o primeiro orc pudesse reagir, Art agarrou sua cabeça e a enterrou violentamente no chão, fazendo a terra rachar com o impacto.

Logo depois, desferiu um único soco em cada um dos outros quatro.

Os golpes foram tão rápidos e poderosos que todos caíram mortos antes mesmo de perceberem o que havia acontecido.

Sem sequer olhar para trás, Art continuou sua caminhada.

Depois de algum tempo, finalmente chegou ao pé da enorme montanha.

Uma longa escadaria em espiral conduzia até o topo. Enquanto subia, observava dezenas de cerejeiras espalhadas pelo caminho. As pétalas rosadas dançavam ao vento, criando uma paisagem serena que contrastava com as inúmeras batalhas que ele havia travado naquele lugar no passado.

Após vários minutos de subida, Art finalmente alcançou o enorme portão.

Acima dele, gravado em letras imponentes, estava o nome:

Clã Shinobu.

Sua mão aproximou-se lentamente da maçaneta.

Estou... um pouco nervoso.

Ele respirou fundo.

Como vou explicar para todo mundo que, de certa forma, renasci graças a uma deusa...?

Antes que pudesse tocar o portão, duas lanças cruzaram diante dele, bloqueando sua passagem.

— Pare aí!

Art ergueu o olhar.

À frente do enorme portão estavam dois guardas vestindo armaduras brancas com detalhes azuis, ostentando o emblema do Clã Shinobu gravado sobre o peito. Ambos mantinham uma postura firme, mas seus olhos analisavam o estranho à sua frente com desconfiança.

— Identifique-se. Ninguém entra no clã sem autorização.

Art permaneceu em silêncio por um instante.

Os dois guardas continuaram observando seu rosto.

Então...

As expressões de ambos congelaram.

O mais alto arregalou os olhos, enquanto o outro deu um passo para trás, como se tivesse visto um fantasma.

— E-espera...

— Aquele rosto...

Os dois trocaram olhares, incapazes de acreditar no que viam.

— Não... isso é impossível...

— É um cúmplice...? Alguém tentando se passar por ele?

O silêncio tomou conta do lugar.

Os guardas voltaram a encarar Art, agora completamente tensos. Suas mãos apertaram com força as lanças.

Mesmo depois de cem anos, aquele rosto estava gravado na história do clã.

Era o rosto do lendário fundador.

Do homem que todos acreditavam estar morto.

Sem dizer uma única palavra, Art simplesmente afastou as lanças com a mão e empurrou o enorme portão.

Os dois guardas permaneceram imóveis.

Nenhum deles teve coragem de impedi-lo novamente.

Assim que atravessou a entrada, Art parou por um instante.

Seus olhos percorreram o interior do Clã Shinobu.

O lugar havia mudado completamente.

Ruas largas se espalhavam por toda a fortaleza, repletas de lojas de armaduras, espadas, lanças, cajados e inúmeros outros equipamentos. Ferreiros trabalhavam, aventureiros caminhavam de um lado para o outro e discípulos treinavam enquanto comerciantes anunciavam seus produtos.

Caramba... isso ficou incrível.

Um leve sorriso surgiu em seu rosto.

Sem perder tempo, continuou caminhando pelo enorme complexo.

No centro do clã, uma gigantesca estátua chamou sua atenção.

Era uma estátua dele.

Art cruzou os braços e analisou a escultura por alguns segundos.

Até que fizeram um bom trabalho... Ficou bonita.

Seguindo seu caminho, chegou à área de treinamento.

O espaço era várias vezes maior do que se lembrava. Dezenas de arenas ocupavam o local, enquanto centenas de discípulos treinavam com espadas, lanças e magia.

Nossa... aqui mudou bastante. tá muito mais espaçoso.

Foi então que seus olhos encontraram uma figura ao fundo.

Um homem alto e extremamente musculoso permanecia parado de braços cruzados. Sua cabeça era completamente careca, e diversas cicatrizes cobriam seus braços e o rosto, evidenciando incontáveis batalhas.

Art aproximou-se sem hesitar.

— Hm...? Não me lembro de você. Quem é?

O homem abriu os olhos lentamente e encarou Art com um olhar frio.

— Eu que deveria fazer essa pergunta.

Sua voz era grave e firme.

— Quem é você... e por que está em uma área restrita do clã?

Art coçou a nuca.

— Bem... porque eu sou o dono des...

Ele nem terminou a frase.

Num único movimento, o homem avançou e desferiu um soco direto no rosto de Art.

A força do golpe lançou o herói para trás como um projétil.

Seu corpo atravessou cinco paredes consecutivas, reduzindo cada uma delas a destroços antes de finalmente parar.

Uma nuvem de poeira tomou conta da área.

Alguns segundos depois, Art saiu calmamente dos escombros, limpando a poeira da roupa como se nada tivesse acontecido.

Ele levou a mão ao rosto e sorriu.

— Nossa... isso foi forte, hein?

O homem fechou os punhos.

As veias de seus braços saltaram, e uma poderosa aura começou a envolver seu corpo. Um brilho intenso tomou conta de sua pele, concentrando-se principalmente sobre sua cabeça careca, que parecia irradiar uma luz própria.

O chão sob seus pés começou a rachar.

— Você tem coragem de invadir o Clã Shinobu... então arque com as consequências.

Num piscar de olhos, Grom desapareceu.

Antes que Art pudesse recuperar completamente o equilíbrio, o gigante agarrou sua perna com uma única mão.

— Ei, espera...

Sem qualquer dificuldade, Grom o arremessou para o alto.

Art girou diversas vezes no ar.

No instante seguinte, Grom impulsionou-se do chão com uma força monstruosa e surgiu acima dele.

Seu punho já estava fechado.

O golpe atingiu Art em cheio e o lançou violentamente em direção ao solo.

O impacto fez a terra afundar, abrindo uma enorme cratera e levantando uma espessa nuvem de poeira.

Art permaneceu deitado no centro da cratera.

Pela primeira vez desde que havia retornado, um fino fio de sangue escorreu pelo canto de sua boca.

Ele levou lentamente a mão aos lábios e observou o sangue em seus dedos.

Que... que tipo de dom esse cara tem...?

Sua visão começou a ficar turva.

As pálpebras ficaram pesadas, e seus olhos começaram a se fechar.

Foi então que uma voz feminina, carregada de autoridade e preocupação, ecoou por toda a área de treinamento.

— GROM! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!

O coração de Art acelerou.

Essa voz...

Grom imediatamente desfez sua postura de combate e virou-se na direção da voz.

Sua expressão feroz desapareceu.

— S-senhorita Ari... este homem...

Antes que pudesse terminar a frase, a mulher passou por ele.

Seus olhos encontraram a figura caída no centro da cratera.

Ela congelou.

Os olhos se arregalaram, incapazes de acreditar no que viam.

Os lábios tremeram enquanto ela dava um passo hesitante à frente.

— N... não é possível...

Posted Jul 30, 2026, 2:09 PM UTC

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