Amor enrustido ou ódio?
Eu dividia casa com outra mulher que se comportava de forma estranha comigo, como se me odiasse e desdenhasse ou tivesse alguma impressão minha, mas ao mesmo tempo se sentisse atraída por mim ou gostasse da minha companhia. Nós conversamos (saíamos várias vezes e até conversávamos sobre viajar juntas). Eu dava algumas indiretas de que ficaríamos bem juntas mas sentia um certo desconforto da parte dela. No entanto, quando eu me afastava, ela vinha me procurar para conversar. Percebi que ela também ficava com ciúmes quando me via com um rapaz com quem eu estava saindo. Além disso, notava uma tensão da parte dela quando eu estava perto, ou um brilho no olhar quando ela me olhava. Outras vezes, eu a pegava me olhando sem dizer nada. Certa vez ela fala que me beijaria “com uns copos” ou me perguntou se eu queria fazer um casal com ela pra cozinharmos juntas (isso acontecia à frente de outras pessoas e acho que isso era só pra ver a minha reação e se eu deixava pistas de que gostava de mulheres). Às vezes, eu sentia uma certa química entre nós, mas sempre achei que era coisa da minha cabeça, porque ela insistia em dizer que era hétero e até fazia alguns comentários homofóbicos que me irritavam. Podia até ser que ela gostasse de se sentir desejada por uma mulher bissexual ou lésbica, e isso alimentasse o ego dela. Então, decidi me distanciar o máximo possível, falando com ela apenas quando absolutamente necessário. Como morávamos com outras pessoas, podíamos minimizar a nossa interação, e foi o que fiz porque sempre que isso acontece com uma mulher hétero, eu me afasto.
Mas ela continuava tentando chamar a minha atenção. Quando uma vez eu falei com ela de forma um pouco ríspida, ela me olhou com olhos brilhantes de cachorro triste (não sei explicar) ou noutro momento em que eu me dirigi a ela e ela tremeu.
Eu achei que ela estava gostando de mim mas não queria assumir, então enviei uma mensagem dizendo que gostava muito dela. Ela não respondeu mas fiquei sabendo que ela mostrou as mensagens a outras pessoas da casa porque um deles ficou zoando. Fui até ela dizer que a mensagem foi uma brincadeira até porque nunca tinha acontecido nada entre nós e que só gostava dela como amiga e não como mulher. Ela disse que sabia disso e no meio ainda me chamou de psicótica (estranho). No final pedi a ela pra pararem com os comentários. As coisas ficaram por aí.
Ela não saía da minha cabeça.
Quando já estávamos morando em casas diferentes, tomei coragem e mandei uma mensagem dizendo que estava apaixonada por ela e que achava que ela sentia o mesmo por mim. Ela me chamou de ridícula, louca e recebi mensagens de dois ex colegas de casa falando pra deixar ela em paz e me mancar.
Disse a ela que foi desnecessária a reação dela e se eu tentava falar sobre o assunto ela continuava falando que fui indelicada e até disse que nunca fomos amigas, que não se identificava e que não me queria na vida dela. Eu não entendia por que ela estava reagindo daquela forma. Ainda trocamos algumas palavras mas ela deve ter achado que eu queria insistir no assunto e continuou dizendo que a incomodava. Perguntei se eu a incomodava tanto, porque não me bloqueava e ela me bloqueou sem dizer mais nada.
Achei injusto e cruel a forma como ela me tratou e o bullying que recebi dela e das outras pessoas. Decidi escrever uma carta ao chefe dela (ela é médica) denunciando ela como uma pessoa homofóbica e preconceituosa. Recebi uma carta do advogado dela dizendo que tudo era difamação. Não houve denúncia, nem processo. Nunca mais a vi na minha vida. Faz 11 anos mas ainda me lembro dela.
Posted Aug 13, 2026, 8:28 PM UTC