FUI BABACA POR IMPOR LIMITES A MINHA TIA?
Preciso de opiniões sinceras sobre uma situação que carrego há anos. Hoje tenho 27 anos, mas a história começou quando eu tinhas uns 13 para 14 anos. Na época, a minha tia (vamos chamá-la de Nora) era minha maior referência familiar. Ela morava fora e, sempre que vinha ao Brasil, a gente marcava de se encontrar. Eu tinha um carinho enorme por ela, mas a verdade é que ela alimentava uma dependência emocional absurda em mim. Ela nunca me dava um carinho genuíno; me dava bonecas, brinquedos e coisas materiais, usando migalhas de afeto para me manipular, me colocar na bolha dela e encher minha cabeça dizendo que os irmãos dela eram pessoas ruins. Ela sempre colocava a dor dela no centro do universo, como a única que sofreu e a dona da razão.
O ponto de virada foi quando fui à minha cidade natal visitar a Nora e minhas primas. Naquele dia, soltaram sem mais nem menos: "Sofia, você sabe que a sobrinha favorita da Nora é a Júlia". Aquilo me atingiu em cheio. Passaram-se meses e passei a ter contato com tios que não conheci na infância. Uma tia (Berta) me disse que a Nora era uma pessoa ridícula e má pelo modo como tratava o irmão, e que jamais a ajudaria se ficasse doente. Tomada por uma revolta adolescente, usei essas mesmas palavras contra a Nora em uma briga que tivemos na última vez que nos vimos em um hotel: disse que ela era má e ridícula.
A Nora ficou profundamente magoada e mudou radicalmente comigo. Depois disso, eu me humilhei milhares de vezes, pedi perdão e chorei pela rejeição dela, mas ela foi extremamente grossa, dizendo palavras pesadas e agindo como se eu tivesse morrido para ela. Quando tentei explicar a raiz da minha revolta e citei o comentário sobre a "sobrinha favorita", ela disse que eu estava inventando por ciúmes.
Nesse período de sofrimento, me aproximei de outra tia (irmã da Nora), que a Nora sempre me ensinou a odiar. Para minha surpresa, essa tia me acolheu com um amor sincero e genuíno. Anos depois, a Nora disse que me perdoou, mas sempre trazia a culpa à tona para invalidar o perdão. Ficamos uns 3 ou 4 anos afastadas, voltando a nos falar apenas quando minha avó e o meu irmão faleceram.
Há poucos dias, toquei no assunto do nosso afastamento antigo porque não lembrava exatamente a origem de tudo. A resposta dela foi me mandar um áudio dizendo: "Se da minha parte disse algo que te magoou é porque você me pegou em um dia ruim, peço desculpas". Ela também pontuou que me conhece desde quando eu tinha uma semana de vida e ficou repetindo ironicamente sobre a minha outra tia: "Acho ótimo você ter contato com ela, de ir passar um fim de semana com ela, acho ótimo, maravilhoso!".
Respondi citando que sim, tenho muito carinho e respeito por essa outra tia, mas que estava disposta a conhecer a Nora de hoje, desde que ela respeitasse os meus limites. A reação dela foi simplesmente não aceitar a imposição de limites e criar atrito.
Fui babaca por impor esse limite a ela ou estou certa em me proteger?
Posted Aug 29, 2026, 3:14 AM UTC