Ser antinatalista e childfree deveria ser cogitado por mais pessoas

Postei e saí correndo

Creio que uma vida sem filhos é mais leve, tranquila e livre.

O Estado e as corporações precisam de reprodutores/incubadoras para manter o sistema funcionando. Esse desejo não é meu. Se a pirâmide da previdência quebrar, planejo um fim digno antes de precisar depender de terceiros.

Nascer não é um milagre, como os religiosos dizem. Quando um novo ser humano nasce, lhe é imposta uma série de padrões sociais limitantes presentes em uma sociedade que provavelmente o farão sofrer. A natureza não liga para nosso bem-estar; catástrofes naturais sempre irão ocorrer, assim como pandemias, fome e guerras. Esse novo ser humano sofrerá com várias frustrações e crises existenciais. Não estou afirmando que a vida é essencialmente ruim, mas ela também não é essencialmente boa. A vida é feita de sofrimento e realizações.

Mas o ponto é que, na inexistência, não há sofrimento e também não há desejo por realizações. A inexistência é apenas isso e nada mais. Não nascer é não existir, e isso não é ruim. Contraponho essa ideia ao argumento de que o antinatalismo impede um novo ser de aproveitar as oportunidades que a vida reserva... Mas esse ser não existe, não há desejo. Se você quiser adotar uma criança, aí sim, você pode usar o argumento de estar dando oportunidades a alguém. Ah, se seus pais tivessem pensado assim... Ok, eu não existiria. Mas qual é o problema? Se eu não existisse, não lamentaria minha inexistência. Temos uma dificuldade enorme de lidar com a ideia de inexistência... A inexistência não é boa, a inexistência não é ruim, ela simplesmente não é nada. Não precisamos nos preocupar com ela, e sim com a existência...

Não vejo necessidade de contribuir com a perpetuação da espécie. Tudo acaba, a humanidade vai ser extinta um dia. Por que temos tanta dificuldade de aceitar que a nossa extinção como espécie não é algo ruim? O sofrimento é ruim, mas uma extinção voluntária, por falta de desejo de ter filhos, por si só, não é algo ruim.

A humanidade se perpetuou até aqui por vários motivos: religião incentivando a natalidade, dificuldade para controlar a concepção, necessidade de mão de obra, desejo de deixar herança, objetificação da mulher, submissão feminina e pouco sacrifício masculino no cuidado dos filhos, libido, crenças limitantes, desejo de deixar um legado genético ou cultural, desejo de cuidar de alguém desde pequeno. Mas, no fim, todos esses motivos são egoístas; nenhum deles, a princípio, considera o novo ser que viverá. Essas motivações para ter filhos está repleto de narrativas impostas por figuras de poder: líderes religiosos, governantes e capitalistas que desejam manter uma ordem social de acordo com suas idealizações para um futuro do qual nem eles vão usufruir. Acreditamos que, porque até aqui foi assim, deve permanecer assim, como se fosse algo essencial, o curso natural das coisas.

Somos apenas resultados da evolução, de processos cósmicos que não ligam para a gente. Hoje temos consciência da nossa posição no universo e o poder de manipular a natureza e controlar nosso próprio processo reprodutivo. Não somos mais regidos por instintos, e sim por anseios e desejos. Emancipem-se dessa amarra, vocês não precisam se reproduzir, apesar de o sistema fazer vocês acreditarem que precisam. Mas, se escolherem ter filhos, entendam que é sobre impor a existência a um novo ser humano, com desejos e sofrimentos próprios. Ele não será apenas um objeto que satisfará seus desejos, cuidará de vocês na velhice.

Pessoalmente, quero aproveitar minha vida, o presente e as pessoas que já existem. Eu não desejo a complicação de ter filhos na minha vida. E acho que mais pessoas poderiam explorar essa opção. Não estou impondo nada, só apresentando minha visão de mundo, assim como quem é pró-reprodução também faz.

No fim, sejam livres para aproveitar essa loucura que é a existência!!!

Acho que preciso dormir...

Posted Aug 31, 2026, 2:27 AM UTC

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