O país ancorado a 36%
observador.pt/opiniao/o-pais-ancorado-a-36/Posted Nov 14, 2018, 10:10 AM UTC
Posted Nov 14, 2018, 10:10 AM UTC
Eu não estou a perceber uma coisa... Estando o país a convergir, visto que temos as regiões mais pobres a crescer muito mais que as mais ricas, isso não é suposto ser uma coisa boa?
Nem consigo entender se isso é sério, se sarcasmo, se chico-espertismo se quê.
Coisa boa não é continuar a centralizar. E o que se tem visto é um constante deixar do resto país, que tem potencial, enquanto o foco é consistentemente Lisboa.
E isto por vezes de uma forma completamente abjeta e descarada. Como ainda agora a da ferrovia transfronteiriça do norte com estudos portugueses que a justificam (colocados na gaveta), e europa a querer saber porque não se faz e a ficar sem resposta, e quando vem tudo a público a única medida tomada é inquérito à divulgação dos estudos escondidos.
Ou quando os fundos europeus não vão para o interior. Ou quando fundos Europeus precisamente para convergência são desviados para Lisboa ao abrigo de cláusulas de "spill over" sem que nunca se demonstrem tais efeitos.
Ou quando fica por fazer o metro de Coimbra discutido à décadas, e se deixa o inclusive o ramal da Lousã destruído. E qualquer menção a um pequeno aeroporto na zona é ridicularizado.
E poderíamos continuar, mas qualquer lista aqui escrita pecará sempre por defeito. E é nisto que se baseia a tua resposta, no ignorar o essencial.
Eu não estou a ignorar o essencial, eu estou unicamente a basear-me nos números deste estudo e dados no artigo, ele não é sobre casos específicos, por muitos que eles sejam.
E o que o artigo faz é apresentar resultados que dizem que Portugal durante a crise reduziu as desigualdades económicas entre regiões, que "pôs" as zonas mais ricas a levar um impacto maior na redução de crescimento, fazendo com que em teoria as regiões mais pobres sofressem menos, e isso é tido como mau. Como?
E o que o artigo faz é apresentar resultados que dizem que Portugal durante a crise reduziu as desigualdades económicas entre regiões, que "pôs" as zonas mais ricas a levar um impacto maior na redução de crescimento, fazendo com que em teoria as regiões mais pobres sofressem menos, e isso é tido como mau. Como?
Como é que se lê um artigo? Como? Estás a selecionar e descontextualizar frases, ignorando as respostas ao que depois perguntas, que estão lá e são o propósito do artigo.
Vejamos. Tu escreves:
fazendo com que em teoria as regiões mais pobres sofressem menos, e isso é tido como mau. Como?
Agora vamos ao artigo:
fazendo com que em teoria as regiões mais pobres sofressem menos Ou seja, aquela região que se esperaria que fosse o motor do país, a Área Metropolitana de Lisboa (AML), serviu como uma âncora, puxando o país para baixo. E, quando essa região tem um peso de 36% no PIB nacional, é uma âncora demasiado pesada para arrastar.
Ou seja a resposta vem logo de seguida. Se aquela região onde concentramos todos os nossos esforços é a que tem uma economia mais suscetível de ser afetada durante a crise, e o resto no resto do país há economias mais resistentes, então o centralismo torna-se ainda mais insensato e lesivo.
Há uma série de razões para isso acontecer. O próprio artigo diz:
Para além disso, a AML é a região mais dependente do Estado, tendo uma grande fatia das vendas de bens e serviços a entidades públicas.
Em anos em que a despesa pública vai a mínimos, parece-me normal que isso tenha mais influência na AML.
A única coisa que estou a defender é que parece que se está a olhar para isto de forma destrutiva, quando se pode olhar como oportunidade.
Olhemos por exemplo para os dados do movimento interno de diplomados. Não são propriamente medidas estatais que os estão a puxar. Há toda uma cultura que também é difícil de desconstruir.
Ou quando os fundos europeus vão para o interior, chegam ás indústrias, e os empresários os gastam em Ferraris.
Sim, porque só no interior é que isso acontece. Lisboa é um santuário livre de corrupção.
Claro que não. Deixa de ser o Tuga clubista. Estou-me bem a cagar se és do norte, sul, interior, litoral, rico, pobre. Para mim, ou és sério e transparente ou não és. E em Portugal há muito menos gente do segundo tipo.
Claro. Obrigado, crise!
Se tivermos mais umas 20 ou 30, talvez corrigissem as assimetrias que o Governo e essa atitude não conseguem.
E porquê "culpar" a crise de tudo isso? Porque é que se decide sempre culpar a 100% a conjuntura para umas coisas e a 100% o Governo para outras? Que eu saiba tivemos sempre a ser governados (por quem quer que fosse) nos últimos anos...
??
wtf?
Lê o artigo.
Claro. Obrigado, crise!
há mais algum país na europa com o nível de macrocefalismo de portugal ?
Países escandinavos, países bálticos, RU, Irlanda, Rep Checa.
depois de investigar o RU , para grande surpresa minha , tens toda a razao , londres com 7 millhoes , depois birmigham com 1 milhao , e tudo o resto tem menos de 500 mill ...
obrigado pela info
mas mesmo esses 7 milhões são cerca de 12% da população de inglaterra, se contarmos a população do Reino Unido todo a percentagem é ainda menor
É acima de tudo uma questão histórica. Países mais recentes, que surgiram de uniões ou divisões acabam por desenvolver formas diferentes de distribuição. Nós somos isto há muito tempo. Não é por acaso que temos isso em comum com o Reino Unido.
Nós temos duas grandes cidades.
Não, não temos.
Aquele gráfico de brain draining é doloroso. Somos um país magrebino na costa errada.
Esse gráfico faria real sentido se as percentagens apresentadas fossem poderadas relativamente à população existente nas regiões.
Faz todo o sentido como está.
Voto por expulsarmos Lisboa de Portugal.
Não é novidade! O grave é que os sucessivos governos finjem que não sabem disto , ou se calhar, não sabem mesmo. E colocam entraves ás empresas por este país fora em prol de negociatas na capital. Basta lembrar, por exemplo, que o Costa deixou a TAP sair do Porto (agora quer voltar!) e que a mesma criou ligacoes da galiza para a capital para menosprezar o aeroporto do Porto.. O unico aeroporto do país que tem acesso a um mercado estranjeiro sigmificativo (Galiza)... E conseguiram tambem acabar com voos regulares de que dependiam muitos empresarios, os mais conhecidos foram os texteis que precisam de ir a italia regularmente. Mas outros tambem sofreram com isto. Tudo para inflacionar os números de passajeiros na capital para eventualmente se poder construir um aeroporto megalómano com os impostos de todos que sofreram com a medida inicial! É assim, sempre foi. E este artigo nao vai mudar nada. Eu esperava ver o Rui Rio falar destas coisas, mas o homem parece que está a ficar velho!